TENHO QUE APRENDER

TENHO QUE APRENDER A CONVIVER COM A DOR DA MORTE A DA AUSÊNCIA DE QUEM EU AMO

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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Léa.

Estou próxima da mudança. Amanhã vamos lavar o chão da cozinha. Os útensilios já estão nos ármarios. Minha vida está quase "desencaixotada" e continua bem sem gracinha.
A Flávia está contente com o andamento das coisas, e está louca para ir ao mercado fazer uma "comprona", com todas as coisas que ela gosta de comer, ontem mesmo ela fez uma lista das comidas que está com vontade, uma graça. Ela está com vontade de: Lentilha, Berinjela refolgada, Carne refolgada com ervilhas,
Frango assado com batatas, Feijão branco e feijão preto, Escarola e Acelga,e também do brócolis da Léinha. è muito engraçado ver ela falando de todas as comidas que ela estava acostumada a comer. Em casa sempre tinhamos muitas verduras, aqui no meu pai, não é assim, e ela está sentindo falta. Legal isso, apesar do tempo, ela não esqueceu das coisas que gostavamos (confesso que eu também estou com saudades da comida da Léinha, ela tem um tempero maravilhoso, sabe, aquele feito com cebola, alho, salsinha, sal e etc..., sem ser só temperar com "meu segredo"? Eu também estou com saudades.... A Léa se sente triste de cozinhar, só para mim e para a Flávia, ela me falou isso, mas também falou que vai fazer com o mesmo amor que ela sempre fez, e, eu sei que é verdade. Ela é uma pessoa que eu admiro e respeito muito, e sei que amo também, apesar de agora, não conseguir amar ninguém. Mas, um dia quem sabe....
Se não fosse a Léa, nem sei o que teria acontecido com a Flávia. Ela foi a pessoa mais dedicada e carinhosa que alguém poderia ter por perto, tanto em situações felizes, quanto nas infelizes (nessas, que vemos, quem gosta ou não sinceramente). Ela é muito mais que uma amiga, ela é um apoio sem tamanho. Ela é que está me incentivando, todos os dias, para continuar arrumando e organizando a obra. Não existem palavras possíveis para descrever a amizade, o amor e a dedicação que ela tem por nós ( se eu acreditasse em deus, eu agradeceria muito por isso). Sem ela aqui, nem sei como teria sido.
Um dia vou voltar a sentir amor, espero que sim, e nesse dia, vou agradecer muito o amor que ela dedicou a minha filha e a mim, nesse período tão turbulento de minha vida.
Posso falar que sobrevivi, pela Flávia, pelo meu pai, e pela Léa.
Acho que continuo sendo uma pessoa privilegiada.

domingo, 30 de outubro de 2011

SAUDADES...

Essa semana foi bem difícil. Praticamente, acabei de abrir as caixas, faltam poucas. As vezes faço com uma certa vontade, no momento seguinte sinto um desanimo tão grande, que é impossível continuar.
Hoje abri uma caixa, que entre outras roupas minhas, tinha um pijama vermelho,que comprei para passar a primeira noita na casa nova, isso já faz bastante tempo. Que bobeira, que coisa mais sem graça, fazer isso. Nunca mais vou comprar alguma coisa, pensando em usar no futuro. quando comprei, fazia tanto sentido...Como iria ser uma noite de novidades, achei que ter um pijama novo vermelho, da cor da casa, seria legal, e o Eduardo iria me achar charmosa, pois o pijama é bem bonito. Quando achei o pijama, lembrei disso tudo e pensei: "por que não usei esse pijama no dia em que comprei??? para que ficar esperando??? No fim, não usei, o Eduardo não me achou charmosa com ele, e agora, quando eu for usar, vai sempre ter um gostinho, de por que não usei antes?
Aliás, fiz isso com muitas coisas, nessa semana, abrindo caixas, me dei conta de que estou encaixotando minha vida há pelo menos 2 anos, que coisa estranha que fiz. Eu acreditava tanto, em uma nova vida, que nunca parei para pensar no que estava fazendo. Eu não deixei de viver o presente, lá atrás, há dois anos atrás, mas eu encaixotei o futuro. Não foi uma boa escolha.
Fiz muitas escolhas infelizes. Bem que podiamos ter uma segunda chance, mas não tem essa escolha.
Estou com muitas saudades do Eduardo. Nem em sonhos eu o vejo mais.
Estou ficando cada vez mais sem ter o que falar, sem me tornar repetitiva.
Vou procurar um médico essa semana, um clínico geral, pelo menos vou tentar, tentar.

sábado, 29 de outubro de 2011

E AGORA????????

Ontem foi aniversário de meu pai. A comemoração está sendo hoje. Está todo mundo feliz e comemorando. Por mais injusto que seja, eu não vou descer. Não vou participar.                                                                Não acho errado, as pessoas serem felizes. Sempre gostei de ser feliz, mas hoje, agora, não tenho como participar. Estou muito infeliz. Não consigo ficar perto de quem está feliz.
Eu detesto ser o que sou, mas infelizmente, é isso.
Vou procurar um médico essa semana.
Quem sou eu, afinal???????
Acho que estou deprimida, acho que preciso de ajuda.
Estou morrendo de saudades de meu amor.
Será que algum dia, isso vai acabar???? Será que essa dor, um dia vai passar????? Será que algum dia, vou me encontrar novamente???
Quem sou eu, sem ele??????????? Não consigo descobrir.
Não aguento ficar sem metade de mim, e agora?????????

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

HOJE....

Hoje é aniversário do meu pai, ele faz 81 anos. São 21:05, sexta feira. O que estou fazendo aqui????????? Alguem pode me dizer?
Não tenho nada para escrever, nem para falar.
Estou tendo dias bem difíceis, bem cheios de emoções, bem cheios de vazios.
Será que em algum dia vou saber quem sou, para onde vou, porque estou??????????
É sempre uma enorme interrogação.

domingo, 23 de outubro de 2011

????????????

A morte é uma merda. No meu caso, ela carregou tudo de bom que existia na vida. Hoje vou tomar um banho, ontem não tomei, foi mal, mas é verdade. Me sinto desanimada, dolorida e perdida. Estou perdida, desde o dia 13 de maio. Será que algum dia me acharei???? Será, que em algum dia, vou saber quem sou novamente????? Sei, que são muitas interrogações, mas minha vida é uma grande interrogação.
??????????????????????????? Essa sou eu!!!!!!!!!

sábado, 22 de outubro de 2011

SAUDADES...

Abri quase todas as caixas, agora faltam roupas, dvds e livros. Os enfeites, porta retratos, vasos, quadros antigos, já estão em algum lugar. Os novos estão no quarto de hóspedes no plástico bolha, e os enfeites de jardim estão na churrasqueira, no plástico bolha, é claro.
Na segunda feira vou pedir para instalarem um número de telefone.
Estou envolvida por uma tristeza tão grande, que não existem palavras para descrever.
Hoje é sabado a noite, noite de fazer alguma coisa especial. A minha noite especial, é escrever um monte de coisas, baixo astral, no blog. É bem emocionante, não?????                                                                    Que saudades, das noites de sabado em família.... Que saudades do meu amor....Que saudades de viver sem dor.... Que saudades de mim....Que saudades de tomar um vinho na varanda....Que saudades de me sentir bem....Que saudades de ficar no silêncio...Que saudades de ter uma vida....Que saudades de acreditar na felicidade, e na alegria...Que saudades...........

terça-feira, 18 de outubro de 2011

SONHO E REALIDADE.

A Flávia voltou do acampamento toda feliz e cansada. Ela amou todas as brincadeiras, comidas, o chalé, enfim, voltou super empolgada. Ainda bem que tudo deu certo,e que eu tomei a decisão certa, em ter deixado ela ir. A única pena nessa história, foi não ter tido o Eduardo ao nosso lado. Seria tão mais divertido, tão mais alegre. Fico com muita pena de nós tres, por não podermos mais fazer coisas, que seriam MUITO prazerosas.
Hoje fiquei bastante na obra e abri os móveis, não desembalei, mas tirei tudo do papelão, diminuiu bastante o volume de coisas. Hoje fizeram a limpeza nos quartos, na parte de cima da casa, portanto, vou poder começar a desencaixotar as roupas, já passou tanto tempo, que nem lembro mais das roupas que estão nas caixas, portanto, poderia perfeitamente, viver sem elas. Aliás, poderia perfeitamente viver sem qualquer coisa que tenha na casa, ou que ainda estão nas caixas.
O Eduardo, adorava enfeites, quadros, cachepôs daqueles enormes, então, a quantidade de coisas para decoração que compramos é grande. Quando compramos fazia todo o sentido, mas agora, fico olhando para tudo aquilo e não sei o que fazer. Em algum momento vou pedurar algumas coisas, eu sei, mas não tem mais o menor significado, não tem mais nenhuma graça, não tem mais nada a ver com nada mais. Mas, as coisas estão lá, e tenho que tira-las do meio, e um dia vou conseguir, espero.
Continuo pensando que tenho que me desfazer de muitas coisas, será que uma venda de garagem resolve meu problema? Tenho que resolver isso antes que eu morra, pois, senão, será um grande encargo para a Flávia. Quero muito deixar tudo o melhor organizado possível, para que ela não tenha que ficar adivinhando coisas, pois eu sei bem, como é estar destruida e ter que ficar lendo um monte de papeis, ficar tentando achar documentos e correndo atrás de coisas, que não temos a menor vontade de fazer. Não que eu espere que ela fique arrasada com a minha morte, ela não vai ficar, pois será uma coisa natural da vida, os pais morrem antes dos filhos, eu só torço muito para que eu fique doente, não quero morrer de repente e causar mais uma reviravolta na vida dela.
De resto, continuo sentindo uma enorme saudade do Eduardo. Não tenho chorado tanto quanto antes e nem me desperado como antes. De alguma maneira a dor está se acomodando dentro de mim, ela está lá o tempo inteiro me espetando, me ferindo, mas não é tão intensa como era antes, acho que o termo certo é 'anestesiada', é acho que é isso, a dor está anestesiada, e para ajudar nessa anestesia, tento pensar o menos possível, no que iria ser, em como iria ser, procuro pensar menos, inclusive no que foi.
É muito difícil para um SONHADOR, se tornar um REALISTA, ainda mais, quando a realidade é muito CRUEL.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

ESTOU....

Hoje minha filha foi acampar com a escola. A primeira viagem que ela faz, sozinha. E, no fundo a primeira vez que eu fico em casa (na casa de meu pai) sem ela. Estou com saudades, estou sentindo falta de todas as aprontações, da voz dela, dos abraços, das bravezas... Estou  sentindo a falta dela.

domingo, 16 de outubro de 2011

HOJE....

Para mim o horário de verão, era tudo de bom. Era a oportunidade de prorrogar o dia, de viver uma hora há mais, no claro. O Eduardo também gostava. Hoje foi, um longo, longo, longo dia.

sábado, 15 de outubro de 2011

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

COMO PODE???????

É incrivel como o cérebro, ou o coração, ou nem sei o que, funciona para nos proteger em algumas situações. Já faz tempo que não sinto grandes emoções boas, tenho sentido muitas emoções, mas sempre muito tristes e angustiantes, mas, de alguma maneira, não sei qual, tenho conseguido abrir caixas e caixas e não sentir nada. Nada de emoções chorosas ou horriveis. Simplesmente, a cada caixa que abro, vejo as coisas compradas por nós, lembro onde iamos colocar, qual era o objetivo daquela compra, onde iria ser usada, me vem uma grande tristeza, mas, simplesmente são coisas, não tem mais o significado que tiveram um dia, não tem mais o sabor da alegria, são só coisas.
Quando foram compradas, existia um entusiasmo e uma alegria tão grandes. Se estivessem sendo abertas com alegria, sei que seria uma felicidade sem fim, mas agora, eu simplesmente faço. Faço, porque tem que ser feito. O piloto automático está sempre ligado, só isso. Tudo que já foi tão lindo, hoje não passam de objetos, que não tem mais o menor significado, estão lá, por acaso.
Simplesmente essas coisas existem, simples assim. Assim, como perder a minha vida. Simplesmente acabou. Simples assim.......
Não consigo entender como pode uma pessoa simplesmente DESAPARECER? Simplesmente SUMIR? simplesmente não existir mais... Como pode???????
Como pode, um dia se está feliz e confiante, e no momento seguinte, tudo se acabou???? Qual a lógica e o objetivo disso tudo? Qual é o sentido da vida????
Sei que já se passaram vários meses, mas a cada vez que toca o telefone, me dá uma certa apreensão...Mas já sei também, que não é só um pesadelo, do qual vou acordar a qualquer momento. Como pode???????????

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

CINCO MESES...

Hoje fazem 5 meses que sobrevivo sem o meu amor. Cinco meses de dor, de choro, de confusão, de insegurança. Cinco meses com o coração duro e despedaçado. Cinco meses de incredulidade diante de tantas mudanças na vida. Cinco meses em que não tenho nem noção de quem sou e para onde vou. Cinco meses de dúvidas e ansiedades.                                                                                                         Nesses cinco meses, a Flávia cresceu cinco anos. Nesses cinco meses fiz e passei por tantas situações, que jamais imaginei passar. Nesses cinco meses aprendi como é ruim sentir tanta tristeza,  ter que acordar a cada dia, e ter que ir, não importa muito para onde, mas tem que ir.
Hoje fui ao cemitério, mas estou tão vazia, tão cansada, tão triste, que nem mesmo consegui falar com o Eduardo, talvez não tenha mais o que falar, não sei....
Continuo abrindo as caixas, agora já são as coisas novas, da cozinha, e estou fazendo conforme pensei, estou desembalando,mas estou guardando tudo, até resolver o que vou fazer com tudo aquilo. Algumas coisas não estou nem desembalando, tipo taças e copos.
Isso tudo, realmente tem me deixado vazia, é assim que realmente me sinto, vazia.
Mas uma coisa é certa, vazia ou não, são cinco meses de uma IMENSA SAUDADES.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

HOJE É HOJE...

Hoje por incrivel que pareça, passei um dia menos tormentoso. Com menos fantasias na cabeça, tipo o Eduardo estar por perto e estar sofrendo também com a nossa situação. É claro que amanhã tudo pode ser diferente, mas hoje, acordei mais realista, mais dura, com a sensação de que eu dependo de mim, e não tem jeito, ninguém pode fazer nada. Minha vida está perdida para sempre e agora, é ir para frente, de qualquer maneira. Acho que acordei com o piloto automático ligado, e talvez vá viver assim para sempre, eu não sei.
Em relação a minha "irmã", também acordei um pouco mais serena, menos revoltada. Mas, de qualquer maneira não confio mais em mim, não confio mais, que amanhã será como hoje. Nesses quase 5 meses, descobri que cada dia é um dia diferente, foi-se o tempo, em que os dias eram bem parecidos, não monótonos, mas alegres e felizes (com excessão de quando brigavamos, ou no período da TPM), eram dias bons, dias normais, sem sofrimento, sem dor no coração (álias, naquela época hávia um coração), sem desanimo. Eram dias bons, e eu sempre soube, não descobri isso depois do ocorrido, eu era muito feliz.
Mas, hoje, só de não sentir aquele tumulto todo dentro de mim, já foi um alívio.
De qualquer forma, hoje é hoje, amanhã não sei....

domingo, 9 de outubro de 2011

É MUITO RUIM NÃO TER ESCOLHA.

Hoje, em uma cidade bem próxima a Londrina, teve uma sessão de psicografia e eu fui. Essa reunião aconteceu em um centro espírita, na cidade de Cambé, e um casal de médius é que fazem as psicografias. Eu já sabia desse evento à bastante tempo, desde que comecei a pesquisar sobre isso, logo depois da morte do Eduardo. Fui pela manhã, peguei uma senha e fiquei aguardando passar pela triagem, fui bem cedo, 7:30 já estava lá, fui o número 32. Então foi destribuido um, ou mais papeis para serem preenchidos com o nome do solicitante, o nome do ente querido, a data de nascimento e de morte. Preenchi com o nome do Eduardo e também fiz um com o nome de minha mãe. Na entrada tinha uma mesa com vários dvs e livros psicografados pelo médium, inclusive, eu comprei alguns filmes e um livro que se chama "superando a dor da morte". Mais ou menos às 8:30, começaram a chamar os números, para fazer a triagem, eu fui chamada pela médium, entreguei os papeis preenchidos, ela leu e me falou, nossa o Eduardo desencarnou a pouco tempo, do que ele morreu? eu falei. Ela me perguntou se nós tinhamos filhos, eu falei que sim, uma menina. Ela perguntou a idade e perguntou dos pais dele, eu falei que ele só tinha a mãe e ela foi fazendo algumas perguntas, e eu fui falando o menos possível, mas falei que moravamos em Minas Gerais e estavamos de mudança para Londrina, quando tudo aconteceu, ela me falou, para encerrar a conversa, que iriamos ver o que se podia conseguir. Voltei para a casa do meu pai, pois a psicografia seria realizada a partir das 15:00.
Às 14:30 eu estava lá de volta, e confesso cheia de expectativas, é uma ansiedade sem tamanho, ainda mais para mim, que não tenho fé, fui lá justamente para encontrar um pouco de fé, acho que me ajudaria muito.
Tinham muitas pessoas nessa hora, mas às 15:00, o lugar ficou cheio. Eles começaram tudo pontualmente, tocava uma música bem alta, pois eles falaram que isso servia como um escudo para os espíritos poderem se manifestar, eram músicas bonitas. Em vários momentos fiquei emocionada. Os médius colocavam a mão sobre os olhos e começaram a escrever, escrever, escrever (nessa hora ainda me perguntei, como eles podiam escrever tanto com a música tão alta, eu não conseguiria me concentrar). Às 16:15, ela parou de psicografar, ele continuou. Ela pegou um microfone e começou a ler as cartas, a pessoa mencionada se levantava e ia lá na frente para escutar a leitura e pegar a mensagem. São cartas longas. Ela leu quatro cartas, na qual as pessoas se emocionaram muito, então na quinta carta, ela leu "Paula, sou eu, o Eduardo...", meu coração disparou e não consegui levantar imediatamente, mentalmente, durante o dia todo pedi muito, que se isso existisse, ele se comunicasse comigo, então imagine o tamanho da minha emoção. Então levantei e fui até lá, ela continuou lendo, meu coração a mil por hora, só que quando chegou no meio da carta, eu já tinha certeza que não era real, então a emoção foi passando e eu me acalmei. Nada na carta me faz achar que é uma verdade. Ela cita o nome da minha mãe, que está ao lado dele. Não cita o nome da Flávia, e sim se refere a ela, como nossa princesa. Fala da mudança de Minas para Londrina. Fala do que ele sentiu quando morreu (os sintomas normais de um infarto, que todos conhecemos), aí  fala da hora que ele acorda no mundo espíritual, quando ele fala que estava atordoado e confuso, aí fala que ele estava num quarto com vários companheiros, aí vem a parte que pegou, diz assim " Porque nossa situação financeira não me daria o luxo de me internar em um hospital particular", foi um chute sem tamanho e não é verdade. Então, ele fala que minha mãe, a Dona Neusa, foi visitar ele (esse dado foi passado, quando entreguei o papel com o nome dela), mais para a frente, ele fala, que minha mãe um dia vai mandar um mensagem também. Agora, o final pega, não tem como acreditar, ele se despede assim: "Preciso encerrar o ditado, já me sinto zonzo e extenuado deixando o meu carinho aos únicos bens que deixei sobre a terra. Beijos do esposo e pai", e uma assinatura, com uma caneta diferente, da que foi usada para escrever a carta.
Estou desesperada de dor, é verdade, mas ainda não estou desesperda de burrice. Ele jámais, usaria o termo esposo, nós sempre usamos falar, marido e mulher, pois achavamos essa palavra, esposa ou esposo muito sem graça, se fosse ele, no final ele teria posto Gatão, e, é claro que os filhos dele, também são bens preciosos, e não só eu e a Flávia.
Conclusão, isso tudo não existe, voltei para o ponto de partida, morreu, acabou, o que é uma pena, pois é muito triste saber que tudo se acaba definitivamente, e que no fundo, a vida não tem sentido algum.
Entendo também, que esse tipo de coisa consola muitos corações, pois as outras pessoas que receberam as cartas se emocionaram muito e ficaram felizes, genuinamente felizes. O desespero nos torna cegos. Acho que as intensões dos médius, também são boas, tanto que esse trabalho chama "cartas consoladoras", mas não é verdade, ou pelo menos na minha, não posso acreditar, pois ainda não perdi totalmente a razão. Mas, acho que estou tão mal, que fui contemplada com uma carta. Como falei, a sala estava cheia, cheia de sofredores, pois todos que estavam lá, não estavam sofrendo menos do que eu, e na realidade só 10 pedidos foram atendidos, 5 através da médium e 5 através do médium. Eu fiquei até o final, pois queria ouvir a leitura das psicografias feitas pelo médium, e no final eles entregam bilhetes, não cartas, só bilhetes que os espíritos mandaram, para poucos, portanto, a maioria das pessoas não recebem nada.
Na minha angustia, de querer acreditar, eu pedia muito que, se eu recebesse uma mensagem, tivesse duas coisas, ou uma, ou outra, mas que tivesse Gatão na mensagem, ou o nome de alguém que não tivesse sido citado, ou que ele me falasse para não ser uma mãe tão triste, porque a Flávia não merecia isso. Nada disso aconteceu, pelo contrário.
Mais uma experiência de vida, e agora, mais do que nunca, sei que a morte acaba com tudo, com sonhos, expectativas, sentimentos e o píor de tudo, nossas mentes e nossos feitos, simplesmente, são enterrados com o morto, é claro, que sempre vai existir o sofrimento pela perda, mas tudo acaba, por mais brilhante que uma pessoa seja, a morte acaba com tudo.
O meu pai está muito triste, por causa da briga, não acho que ele mereça passar por essa situação. Estou muito triste por estar causando isso a ele, preciso me mudar o mais rápido possível e vou tentar uma conversa com minha "irmã", para que ele pare de sofrer, é muito triste, ver o sofrimento estampado no rosto dele, só que essa próxima conversa, vai ser longe dele. Acho que realmente, ele não merece passar por isso, e acho que eu também tenho que procurar me superar, agora, que tenho certeza, estou sozinha com a Flávia. Não existe um espírito, ou qualquer outra coisa, que não os que ainda estão aqui. Vou procurar ajuda e tentar melhorar, pelo meu pai e pela Flávia. Acho que recaídas vão existir, que nunca vou conseguir me conformar com o que aconteceu, sei que não vou. Que meu coração está duro, está mesmo. Que minha vida mudou para sempre, ainda não consigo acreditar, mas acho que com o tempo vou conseguir. Que a Flávia merece ser feliz e acreditar na vida, já que ela está viva, também acho que é justo. Que vou viver de lembranças e recordações para o resto do que me resta dessa vida, também já tenho consciência. Portanto, não me resta nenhuma opção, sem ser ir para frente, sem amor, sem sentimento, sem saber quem sou...mas preciso, de alguma forma, ir para frente. Me matar, sei há bastante tempo, que seria uma péssima herança para meu pai e para minha filha. Portanto, só tenho UMA opção, só UMA. É muito ruim não ter escolha.

sábado, 8 de outubro de 2011

PRECISO SABER....

Realmente achei a solução, abrir as caixas das coisas usadas é bem mais fácil, tudo não está carregado de sonhos, que não existem mais. O que abri foram coisas que nós usamos e muito, não tem toda uma expectativa em cima. Agora a cozinha está quase montada, e quem sabe vou poder fazer o macarrão que a Flávia tanto pede.
Hoje teve uma discussão horrivel, entre eu e minha irmã, e eu acabei falando coisas que não queria, não queria, mas acho que um dia iria ser falado de qualquer modo. Eu realmente acho, que essa demora toda para a casa ficar pronta é culpa dela, e, é. E nunca adiantava falar, ou pedir alguma coisa, era só na ordem que ela queria que acontecesse. Talvez o Eduardo tivesse morrido de qualquer forma no dia 13 de maio, mas eu estaria perto dele, ele estaria perto da família. Por tudo que sinto hoje, sei que não seria uma dor menor, mas não existiria essa sensação de interrogação. E nem essa sensação de sonho não vivido. Por tudo que já li, sei que as pessoas morrem, dentro do hospital, mas pelo menos se tentou alguma coisa, pelo menos não existe a culpa de não ter tentado.
O meu pai está bem chateado com o acontecido, mas um dia isso iria acontecer. Pode ser que eu não esteja enxergando tudo com clareza, mas o que sinto é isso. Não quero mais ela falando brava comigo, foi assim que começou a discussão, ela alterou a voz comigo, e aí, não deu para segurar. Agora já foi, se algum dia, eu achar que fui injusta, peço desculpas, mas acho que isso não vai acontecer.
Vou providênciar minha mudança o mais rápido possivel. A semana que vem, a empresa da limpeza deve terminar o que ficou faltando, então eu vou, do jeito que está, mas eu vou. Não aguento mais viver aqui, do jeito que estou vivendo e nem a Flávia merece isso. A minha presença está desequilibrando toda a família, então, está mais do que na hora de tomar um rumo. A minha "irmã" que cuida da casa do meu pai, ela e ele que fazem compras juntos, ela que faz o jantar, cuida do cardápio, da empregada, e faz os almoços nos domingos, então é mais do que justo que continue assim, e depois de hoje, acho que ela vai manter uma certa distancia, e eu não quero isso, acho que meu pai já está sofrendo demais.                                         Se eu ficar longe, quem sabe meu coração não se acalma um pouco, e desesperadamente, eu preciso de um pouco de paz.
Eu preciso muito descobrir quem é essa pessoa, que está encarnada no meu corpo. Preciso saber quem sou eu . Preciso saber quem é que vai emergir desse pesâdelo que se abateu sobre a minha vida. Preciso descobrir quem é essa que vai me acompanhar pelo resto da vida que me resta (tomara que não seja uma longa espera).

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A PRIMEIRA DECISÃO.

Consegui! Abri mais ou menos 6 caixas, só que, não as caixas com as coisas novas, e sim as que eu embalei, com as coisas que já eram usadas por nós em Pirapetinga. Essas me fazem sofrer bem menos, pois são coisas que nós aproveitamos, que nós gostavamos, e não estão carregadas de sonhos.

 mas que aproveitamos. Essas caixas todas são coisas de cozinha, pois é o único lugar na obra, que dá para por alguma coisa no lugar. Resolvi, que vou abrir as caixas das coisas que eu já usava, e as coisas novas, um dia, vou tirar das caixas grandes, mas não vou desembalar nada, mesmo porque nunca vou usar, nunca vou usar o lindo aparelho de jantar, ou qualquer outra coisa, não porque não goste, mas porque não vai mais haver, nem jantares com amigos, nem domingos com churrasco, nem nada mais... Para que tirar da caixa as taças de vinho? ou os talheres? Vou deixar tudo guardado, até o momento de decidir como vou me livrar de tudo aquilo, hoje andei pensando em uma venda de garagem, mas não sei direito como funciona.
Eu não sei o que fazer com metade dos objetos, sejam de decoração ou para uso diário que nós compramos. Quando comprei, fazia todo o sentido, mas agora não sei o que fazer com tudo aquilo, todos os objetos comprados para serem colocados em lugares que já haviamos imaginado., e que teriam o destino certo. Portanto vou tirar das caixas, mas não vou usar, e um dia vou achar a maneira certa de acabar com tudo isso.
Concordei com a ida da Flávia para o acampamento, ela ficou super feliz. Dava pulos de alegria. Estava me sentindo muito exitante. Hoje em dia, tenho medo da viagem, mas por outro lado, nunca fiquei pensando que alguma coisa ruim poderia acontecer, em situações banais da vida, e acho que não devo ficar neurótica agora, não deixando a menina viver, pois ela vai ter muitos e muitos e muitos anos pela frente. Então ela vai no acampamento, e vai ser feliz. Acho que foi uma boa decisão. Tomei minha primeira grande decisão sem o meu amor.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

EU SOU MUITO INFELIZ.....

Eu quero, me sentir bem, uma vez mais, na vida, quero sentir paz, quero sentir tranquilidade, quero sentir meu coração mais mole, quero sentir alguma emoção, que não seja triste.
É terrivelmente ruim se sentir morta, mesmo estando viva. Sei que estou viva, pois acordo todos os dias, e passo pelas horas, e então chega o momento de dormir, para acordar no dia seguinte, e passar pelas horas, por isso sei que estou viva, fisicamente. Mas, o que fazer quando o físico sobrevive, mas o coração e os sentimentos morrem? O que fazer com essa contradição?
O que posso fazer para conviver, harmoniosamente, com a  morte em vida? Como fazer, para manter o lado fisico da vida?
Pra mim, o lado fisico, não tem o menor sentido, sem a emoção que a vida proporcionava? Não sei como continuar vivendo, se não sinto mais alegria alguma, se não sinto mais gosto algum, se eu vou para a obra, e não vejo nada lindo, se vou, para qualquer lugar e a emoção, acabou??!!!
Queria muito ser um ser racional, mas sou sentimental, e agora?????
Como posso sobreviver, aos desafios que a vida me impôs? Como posso sobreviver a raiva que sinto de minha "irmã"????????? Como posso, simplesmente, sobreviver?????????? Nós combinamos de morrer juntos, nós eramos muito felizes, nós eramos um casal.
Sei que é muito chato ser repetitiva, mas eu ,NÃO QUERO PASSAR, PELO O QUE ESTOU PASSANDO, NÃO QUERO ODIAR TANTO, NÃO QUERO MAIS VIVER.
Eu me detesto muito. Eu sou muito INFELIZ.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

NÃO CONSEGUI...

Bem que eu tentei, mas ainda não consegui tirar as panelas da caixa. Por outro lado, eu consegui lavar a varanda, que está abandonada a meses, estava cheia de terra vermelha. A terra aqui de Londrina, é uma terra bem vermelha, grudenta e super fértil, para plantar é ótima, mas quando gruda no chão, dá um trabalho danado para tirar. Quem nasce em Londrina é chamado de pé vermelho, e é real, pois quando a Flávia brinca descalça, é bem trabalhoso deixar os pés dela, limpos novamente.
Como sempre, me sinto mais à vontade fora da casa, no quintal, do que dentro da casa. O quintal está cheio de recordações, pois aquele é o jardim do Eduardo, e é o lugar onde me sinto melhor. Dentro da casa, é bem mais complicado, pois em cada um daqueles espaços, existia uma expectativa de como seria o uso no dia a dia, essa parte pega, pega fundo na dor. O único lugar da casa que já está pronto, em termos, é a cozinha, digo em termos, porque apesar dos ármarios estarem no lugar, o fogão, o forno e o microondas, o resto está uma bagunça, tudo sujo e empoeirado. Os ármarios totalmente vazios, esperando serem preenchidos com todas as lindas coisas que compramos, as caixas estão na dispensa, esperando para serem abertas, as caixas que eu não tenho coragem de abrir. Portanto, tudo se transforma num circulo vicioso.
Do resto a obra, está lá, e acho que nunca vou conseguir encarar aquele lugar como uma casa, mas um dia eu vou mudar para a obra, um dia....
A Flávia está super chorosa hoje, acho que está triste, mas também porque ela quer muito ir no acampamento com a escola, e eu ainda não decidi se vou deixar ela ir, ou não. Acho que para ela seria importante ir, por outro lado fico tão apreensiva, ela é tão pequena ainda, só tem 7 anos, é certo que nesses meses ela cresceu muito mais do que qualquer outra criança que ela tem contato, mas ela continua tendo só 7 anos. Depois de todo o acontecido, de eu estar me sentindo muito insegura, não sei o que seria melhor, acho que o Eduardo não iria concordar com essa viagem de bom gosto, mas talvez nós dois deixassemos ela ir, talvez fossemos leva-la de carro. Ela era tratada como uma princesa, ela continua sendo uma princesa, mas está aprendendo a duras penas, que a vida real, não é um conto de fadas o tempo todo. Sinto pena dela e de mim, e uma enorme pena, pelo Eduardo não estar vivendo tudo que ele sonhou.
A morte é a coisa mais arrasadora e horrivel que existe, realmente não temos, ou melhor, eu não tenho nenhum preparo para conviver com ela. Preciso de alguma forma, preparar a Flávia melhor, para essa dura realidade. Tenho desejado sempre, que quando chegar a minha vez, que venha precedida de alguma doença, para que ela possa se preparar melhor para esse momento, pois a morte repentina, pode ser boa para quem morre, mas para quem fica, é um encargo sem tamanho. No nosso caso, como em muitos outros que leio, a surpresa é sempre o pior caminho. A doença, faz com que as pessoas, que estão ao redor se prepararem para o dia do evento final, e sei que ele vai chegar para todos nós. Hoje em dia eu tenho essa certeza, antes, eu sabia que existia, mas jamais me preparei, nem fisica, nem emocionalmente para tal acontecimento. Acontecimento esse, que muda a vida das pessoas de uma maneira drástica, de uma maneira irremediável, sem que se tenha opções de escolha.
Todos nós deveriamos nascer com um certificado de garantia, de que iriamos durar tantos anos... e quem sabe, poderiamos, durante a vida, adquirir o certificado de garantia estendida? Igual essas que nos oferecem, quando compramos um eletrodoméstico?
Mas, enfim, tudo isso é um delirio.
Aqui em Londrina, além da terra vermelha e grudenta, tem pernilongos que não acabam nunca, e mordem, e mordem, e mordem.... Essa é a minha realidade hoje em dia.
Continuo querendo minha vida de volta, sei que não vai voltar, mas, eu queria muito.

Será que hoje eu consigo?????

Eu sei que não adianta nada eu me revoltar, sei que nada vai mudar, sei que o que foi, foi,e que nunca mais será, mas não consigo, não paro de pensar em tudo isso, não paro de achar que tudo poderia estar sendo bem diferente.
Sei que parece injusto quando fico tão revoltada com a minha irmã, mas as coisas aconteceram de uma forma muito errada, ela realmente ficava correndo atrás de detalhes tão insignificantes que era muito irritante mesmo.Sei que ela não fez tudo com maldade, pelo contrário, ela queria atingir a perfeição, mesmo sabendo que perfeição não existe. Ela não se preocupava com a separação da família, como eu me preocupava e o Eduardo também, ela realmente não tinha pressa em terminar a obra, e realmente acho que não tomei atitudes para mudar isso. Me sinto muito culpada.
Eu sei que tenho a Flávia para tomar conta, mas por mais que eu tente, não consigo mais sentir por ela o que eu sentia antes. No fundo, sempre soube que não eu não tinha um instinto maternal muito aguçado, é claro que eu amo ela, mas mudou tudo, ela era o complemento que veio para encher nossa vida, mas a minha vida sempre foi ele, eu amava ele, eu gostava de viver com ele, e já era assim antes da Flávia nascer. Ela foi uma grata surpresa na nossa vida, é claro, mas também viviamos felizes antes de ter ela, e se o acaso não tivesse trazido ela para nós, continuariamos juntos e sozinhos até o fim, em Pirapetinga ou em qualquer outro lugar.
Sei que é horrivel eu sentir assim, mas é a verdade. Ontem, quando estive na obra, estava na cozinha, vendo todos aqueles armários que eram tão bonitos, não conseguia deixar de imaginar como iriam ser as nossas noites em família. Sei que isso me tortura, me mata, mas não consigo evitar. Por mais que eu queira, não consigo enxergar como vai ser a minha vida só com a Flávia. Vou fazer as coisas para ela, mas nunca mais vai ter o mesmo brilho, o mesmo entusiasmo que tinha antes, mesmo porque nossa relação mudou muito. Não tenho mais vontade de ler, de contar uma história, de brincar. Não consigo mais ser verdadeira, nem com ela e nem com ninguém. Estou desesperada de dor, de angustia. Sou uma pessoa muito estranha, eu sei. Sou egoista também, pois se não fosse, não estaria me sentindo tão amargurada. Não tenho conseguido conviver com a tristeza, para mim, está sendo muito ruim não sentir nenhuma gotinha de entusiasmo. O entusiasmo fazia parte da minha vida, e agora que ele se foi, não consigo resolver as coisas. Sei que isso é uma criancice, uma imaturidade, mas é assim que sou infelizmente.
A escola da Flávia vai fazer um acampamento com as crianças, e ela está louca para ir, provavelmente vou deixar, eles vão numa segunda de manhã e voltam na terça a tarde. Vou levar ela para o primeiro acampamento, sozinha e vou busca-la sozinha também, só esse pensamento já me fere, é tão sem graça, é tão injusto.
Até hoje não consigo entender como a vida pode mudar tanto, mas tanto, em tão pouco tempo.
Hoje vou abrir uma caixa, vou conseguir.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O QUE ESTOU FAZENDO AQUI??????

Não aguento não falar, mas hoje minha EX FUTURA, e futura novamente, está com um curativo horrivrel no nariz, eu até oerguntei o motivo, mas nem lembro da resposta... e no fundo, nem quero lembrar. Eu sou dramática, sou exagerada, sou tudo de ruim que alguém possa ser, mas não faço chantagem. Essa namorada do meu irmão é sem explicação. Essa é aquela que minha "irmã" me enganou, e nada mudou, nada está sendo diferente.... Que pessoa mais estranha é essa????? Eu não tenho vontade de fotografar, nem de filmar, mas no minimo sería interessante.
Agora são 21:14, e não tem mais lugar para mim  e nem para minha filha, agora é  hora de ver futebol.
EU ODEIO MINHA "IRMÃ", ou aquela que eu sempre acreditei que fosse minha "irmã". Família, não escolhemos, simplesmente, acontece, sem mais nem porque, só acontece.... Quero estar longe daqui, quero minha vida de volta, quero não estar me sentindo tão mau, tão perdida, tão sem chão...Não gosto da família que eu achava que tinha.... Detesto tudo, que se refere, ao que vivo hoje!!!!!!!!!
O que estou fazendo aqui????????????????????????????????????????????

EU QUERO...

Minha "irmã" não tem a menor idéia do que estou sentindo, e porque teria???? Ela nunca perdeu uma família, nunca perdeu um amor, nunca perdeu nada, que ela já não tivesse perdido, de livre e espontânea vontade, há muitos anos atrás. Ela nunca quis se casar, nunca quis ficar com alguém, para valer. Ela já namorou, já foi noiva, já desmanchou o noivado, já fez tudo que quis. Sempre colocou na minha mãe, a culpa de não ter se casado. Mentira, eu tive a mesma mãe e o mesmo pai, e vivi uma vida muito boa, muito legal.
Como ela mesma falou, dois dias depois de ter perdido meu amor, que a vida sempre foi generosa comigo. E foi, a vida foi muito generosa, desde o momento em que eu estava decidida que eu teria uma vida generosa. e, foi o que tive, vivi um grande amor, vivi uma vida cheia de pecados e paixões, me diverti o quanto eu pudi, me arrastei o quanto achei nescessário, me confrontei a cada tormenta, me identifiquei  a cada seguimento de minha vida, segui meu coração.
Fui feliz, muito feliz! Não sou mais feliz, sou muito infeliz! Mas, de qualquer maneira, vou, um dia, um dia bem distante, conseguir sorrir de novo, eu espero.
Quero minha vida de volta... Já sei que não adiante querer... Já sei que não adianta desejar, e nem mesmo só querer um pouquinho, daquilo que me fazia feliz, daquilo que era minha vida.
Eu sei que é horrivel, o que vou escrever, mas, eu amava o Eduardo, eu amava meu Gatão, e sem ele, não tem a menor graça em continuar  em frente, em tentar...
como posso ter sido tão burra???? Como posso ter achado, o que achei???? Como posso, um dia ter admirado e amado minha "irmã"??????????????????????? Aquela que sempre falou que não somos irmãs????? Eu não escolhi. Infelizmente,essa é a minha situação...
A minha magoa é tão grande, que nada adianta para alivia-la. Como posso não ter percebido, o quanto ela estava DESLUMBRADA por tudo que estrava acontecendo???????
Eu me odeio, eu me detesto por não ter tomado uma posição. Eu quero que tudo isso acabe logo, o mais rápido possível, eu quero morrer, quero estar no mesmo lugar que meu amor, a razão da minha vida está.
Quero morrer!!!!!!!!!!!!!!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

PERTENÇO AO GRUPO DOS EXAGERADOS...

Hoje fui na obra decidida a tirar as lindas panelas da caixa, fui lá com esse propósito e chegando lá, não consegui, me deu um aperto no peito, uma dor no coração, novamente eu fechei a caixa e vim embora.
Sei que não é tempo de tomar grandes decisões, mas não tenho conseguido tomar nem pequenas decisões. Não consigo sequer abrir uma caixa, imagine abrir as dezenas de caixas que estão lá na obra, caixas cheias de recordações e de sonhos que jamais se realizarão, não sei se um dia vou conseguir fazer isso.
A cada dia me sinto pior, pois estou ficando cada vez mais triste, não acho que eu esteja deprimida, mas essa tristeza e essa melancolia não me largam.
Por mais que eu leia, por mais que eu me informe sobre luto, não sei se estou conseguindo superar as etapas que existem nesse processo. Hoje fazem 140 dias que perdi meu amor, que perdi metade de mim e o tempo está passando, mas não sei se estou conseguindo superar as fases do luto.
Fases:
- Negação
- Raíva
- Negociação
- Depressão
- Aceitação
Acho que ainda não saí da negação, já senti e sinto muita raíva, mas sempre na negação, pois até hoje não consigo acreditar no que está acontecendo, e quanto a vida mudou. Raíva, sinto o tempo todo, de mim mesma, por não ter tomado uma atitude enquanto eu podia. Negociação eu nunca fiz, pois não tenho fé para fazer isso, se eu não acreditava muito em deus antes, imagine agora! Como já falei, não acho que esteja deprimida, e da aceitação estou bem longe, mas bem longe mesmo, de chegar perto. Portanto posso afirmar, que ainda não saí da primeira fase, pois não existe um dia sequer que eu não pense em tudo que ficou perdido pelo caminho e o quanto eu gostaria de poder viver o que ficou perdido. Já li também, que as pessoas são diferentes e portanto, cada um tem a sua maneira de viver cada fase, mas será que é normal não sair do lugar? Estou permanentemente estática, sofrendo por um amor, que racionalmente, sei que não existirá mais, mas infelizmente, nunca fui muito racional, sempre fui mais sentimental, portanto, acho que não estou saíndo do lugar, e nem sei se vou conseguir sair algum dia.
É muito triste não ter fé, não ter nenhum apóio para atravessar uma tormenta tão grande, me sinto à deriva, desde a hora em que acordo, até a hora em que, finalmente, consigo dormir.
É muito ruim pertencer ao grupo dos exagerados, eu queria muito ser uma pessoa mais racional do que sentimental.
Quando falo com minha comadre, com minha sogra, com meu pai ou com qualquer pessoa, sinto que não sou como deveria ser, não sou um ser racíonal, sou um ser sentimental, puramente sentimental, e isso me coloca em uma grande desvantagem, em relação as pessoas normais. A maioria das pessoas conseguem superar as adversidades, bem melhor do que eu, as pessoas que tem fé também.
Não consigo achar que vou, de alguma maneira, ser uma pessoa melhor, uma pessoa mais feliz, uma pessoa, de qualquer forma, melhor, do que eu era antes.
Ser feliz, abre portas, ser infeliz, fecham-se portas. Ninguém gosta de estar perto de alguém infeliz. Mesmo, porque o infeliz, não tem assunto, não tem nada bom para falar, para qualquer pessoa.
Mas, um dia, quem sabe, um dia, vou me transformar em uma pessoa do bem novamente??????

domingo, 2 de outubro de 2011

HOJE....

Hoje, e só hoje descobri como se colocam fotos no blog. Não que eu estivesse interessada antes, mas pelo menos, nesses poucos meses, aprendi muito, sobre internet, sobre o que fazer com um computador, sobre o que esperar de um computador.
Hoje, depois de muito tentar entender, vou colocar ao vivo o motivo do meu sofrimento e de minha angustia, vou colocar a foto do meu Gatão, do meu viver... Alguma foto de quando eu era feliz, e sabia que era, eu realmente sempre soube. Essa é a família que perdi, por não ter mandado minha "irmã" a merda, por não ter mandado o relacionamento doentio, à merda.
Essa é a família que não vou mais ter, é a imagem de tudo que não vai acontecer, é o motivo de minha saudade e angustia.
Eles eram a razão do meu viver. Sei que tenho minha filha, mas sem ele não tem a menor graça em nada da vida. Ele, é o meu Gatão, o meu mundo, o meu AMOR. Ele realmente é um Gatão!!!!

EU PERDI MUITO... PERDI TUDO...



RUIM MESMO É....

Eu sempre tive certeza do meu amor por ele, mesmo nos momentos de crise, das irritações, das raívas. Eu sempre soube que eu não queria ficar sem ele. E agora que estou sem ele, e para sempre, não é igual a uma briga, que agente sai batendo a porta, pega o carro e fica algumas horas fora, depois volta, conversa ou não, e na mesma noite, ou no dia seguinte fica tudo bem. Agora, é tão torturante saber que não tenho para quem voltar, com quem conversar, com quem simplesmente ficar ao lado, vendo televisão ou fazendo palavras cruzadas. Mas a presença tinha todo o significado, ele simplesmente estava alí, assim como sei que ele sentia tudo isso em relação a mim, também.
O fato de termos vivido durante tantos anos, num lugar afastado, longe das famílias é claro que contribuiu para que vivessemos intensamente um para o outro. Sempre gostamos de ficar em casa, fazendo coisas pelo sítio, sempre gostamos muito da companhia um do outro. Tinhamos muito em comum. Tinhamos amigos em Pirapetinga, é claro, mas não tinhamos o costume de ir para a casa de ninguém, a não ser quando eramos convidados para algum almoço. Fora isso, curtiamos muito nossa companhia. Depois tivemos a Flávia, que veio complementar o que já era bom. Eu amava minha vida. Eu amava os domingos passados no sítio, eu amava fazer o almoço, um prato especíal para ele, para mim também, é claro, mas eu adorava fazer um prato que ele gostasse muito, era muito legal, ver a cara dele de gula, e não via a hora que ficasse pronto, e depois comia com prazer, isso era um incentivo, eu sentia um grande prazer nesse momento, e olha que não sou uma boa dona de casa, não. Não sou maníaca nem por limpeza e nem por arrumação, gosto de tudo limpo e arrumado, mas sem neuroses. Mas os domingos no sítio sempre foram bons, nós eramos felizes.
Sinto uma grande tristeza por saber que esses momentos não vão mais se repetir, que eu nunca mais vou fazer um prato que ele adorava, nunca mais vou estar no fogão e chegar alguém por trás me dando um abraço e passando a mão boba na minha bunda. Nunca mais vou no mercado comprar castanhas de caju, queijinhos diversos, frios e pão, para fazermos um delicioso lanchinho tomando um vinho. Nunca mais vou jogar Yan, passavamos horas jogando Yan, em casa, na praia, atpe no avião, simplesmente adoravamos joga yan. Nunca mais vou ter alguém ao meu lado numa noite de lua nova, cheia, minguante ou crescente, sentado em uma cadeira só olhando o céu. Nunca mais vou poder dar um abraço triplo (eu, ele e a Flávia). Nunca mais vou andar de mãos dadas com os dedos entrelaçados ou com os braços dele em meu ombro e eu com o braço em torno da cintura dele,com o dedo segurando o passante do cinto. Nunca mais vou sentir aquele corpo, que eu conhecia em cada detalhe. Nunca mais vou poder passar a mão boba pela bunda e pelo pau dele, pelo peito dele, pelas coxas, que por sinal eu adorava, eram musculosas e firmes e cheias de pelos brancos. Nunca mais vou me sentir tão à vontade perto de alguém,  a intimidade entre pessoas que passam 25 anos juntas, é algo sem explicação, agente sabe tudo um do outro, talvez isso não aconteça com todos, eu não sei, mas agente se amava muito, mesmo depois desse tempo, as transas, os beijos continuavam ardentes, alías, eu sempre me senti muito bem ao lado do Eduardo, desde o começo, não sei explicar, tive outros namorados, é claro, um até, que eu era muito apaixonada, mas com o Eduardo foi diferente, eu me sentia totalmente à vontade ao lado dele, em qualquer situação, inclusíve quando transamos pela primeira vez, e pensar que nunca mais vou ter isso me deixa com um sentimento de dor tão profundo que não sei como suportar.
Viver em Pirapetinga trazia muitas restrições em questão de diversão, então nos divertiamos da forma que nos fazia feliz, e como tinhamos poucas opções de lazer, de passeios, acabamos sonhando muito com as coisas que iriamos fazer aqui em Londrina, com a Flávia e que também teriamos a oportunidade de passearmos juntos, sairmos para jantar, enfim, fazer coisas que passamos anos e anos sem poder fazer. E saber que tudo isso não vai mais acontecer é aterrador.
Hoje me sinto muito deprimida por todos esses pensamentos tão tristes, mas, por mais que eu não queira pensar, eles vem a minha cabeça e perfuram meu coração de uma maneira angustiante.
Não consigo entender o porque mudei tanto em relação a Flávia, não consigo mais sentir o que eu sentia antes. Sei que ela é minha filha e minha responsabilidade e que eu tenho que cuidar dela, mas eu gostava muito mais de cuidar dela, quando eu tinha ele para cuidar também. Eu nem sabia que hávia me tornado uma pessoa tão dependente emocionalmente do Eduardo, mas infelizmente foi o que aconteceu, e essa falta de sentimentos em relação a minha filha, é mais um motivo de grande angustia para mim. O amor de mãe não deveria vir antes do amor pelo marido????? Acho que sou uma pessoa doente sentimentalmente.
É muito ruim passar os dias se sentindo assim, é muito ruim não ter com quem conversar, é muito ruim ver o domingo se arrastar e não poder fazer nada, é muito ruim ficar aqui sentindo essa enorme pena de mim mesma, é muito ruim não encontrar forças para reagir, é muito ruim não achar graça em nada, é muito ruim ser uma pessoa triste, é muito ruim ter esse punhal cravado no coração, é muito ruim não saber quem eu sou, é muito ruim não saber que caminho tomar, é muito ruim olhar pela janela e não enxergar nada, é muito ruim ir na obra e não ver mais beleza alguma, é muito ruim não encontrar nenhuma motivação para ir em frente, é muito ruim essa sensação de decepção diante da vida, é muito ruim e frustrante saber que os sonhos jamais de realizarão, é muito ruim essa magoa que sinto pela minha "irmã",
é muito ruim estar em lugar nenhum, é muito ruim ser como sou atualmente, é muito ruim desejar a própria morte, é muito ruim ficar sentindo essa avalanche de sentimentos que insistem em não me deixar em paz,
é muito ruim estar perdida, é muito ruim abrir mão da felicidade, é muito ruim ter que fazer e pensar em coisas que eu não gostaria de ter que fazer e pensar, é muito ruim se sentir vazia, é muito ruim acordar e não ter para quem dar bom dia, é muito ruim mudar tanto em tão pouco tempo, é ruim não conseguir fazer um único plano, é ruim ser insegura, é ruim sentir que tudo é muito ruim.                                                       Tudo isso, e muito mais, são as coisas ruins que tenho descoberto, mas tem uma coisa que é TERRIVELMENTE RUIM,  É FICAR SEM O MEU GATÃO, sem as suas gentilezas e seus cuidados, isso é ULTRA, SUPER, MEGA RUIM......

sábado, 1 de outubro de 2011

EU QUERIA....

Hoje a tarde fui na obra, fui fazer uma cobertura de guarda-sóis na casa dos jabutis. É engraçado o que está acontecendo, eu fico bem quando estou no jardim, ou fazendo alguma coisa para os bichos, ou arrumando um espaço para a Flávia brincar, e fico bem, mais ou menos, pois sei o quanto o Eduardo curtiria, ver os jabutis na água, ver a patinha tão à vontade, a Cléo super feliz, as coelhas, totalmente na delas, como sempre e as cachorras, não estão destruíndo o jardim. Além de saber o quanto ele gostaria de ver essas cenas, também sei, como ele estaria fazendo comigo, ele estaria ma abraçando, por cima do ombro e eu estaria abraçando ele pela cintura, por aquele corpo, que eu conhecia tão bem, que eu conhecia cada centímetro, cada curva, cada ressalto... Eu conhecia o corpo dele como ninguem. Eu sabia, quase tudo, sobre ele, e digo quase, porque cada um é cada um, e todos, temos o nosso eu, os nossos pensamentos e segredos.
Mas, eu sempre soube, em que momento gostavamos de abraçar, de beijar, de beijar muito e de abraçar muito. Nosso relacionamento, sempre foi baseado no carinho, na paixão que sentiamos, um pelo outro. Eu era louca nele, e ele sabia disso. Às vezes, eu era bem ciumenta, e não gostava das viagens, e eu falava para ele, ele me falava "Paula, tira isso da cabeça, pois eu sei a família que eu tenho, e não quero perder!" Ele sempre me conheceu muito. Eu confiava nele, eu amava ele, eu queria morrer com ele.
Durante a madrugada, eu não conseguia dormir, lembrei que vivi com ele metade da minha vida, e por mais que tentasse, não consegui lembrar da outra metade da minha vida, a metade em que não estive com ele.
Eu me esforcei para lembrar, do que e o que eu gostava de fazer, e lembrei de tão poucas coisas, que realmente, no fundo, não sei mais quem sou, de onde vim, e muito menos para onde vou. Mas, sou capaz de lembrar o dia que nos conhecemos, como se tivesse sido ontem, e quando vejo fotos, relembro dos momentos, como se estivessem acontecendo agora. É tudo muito estranho, os sentimentos são muito confusos, a vida perdeu a cor e o sentido.
Estou com saudades, com muita saudades....Eu queria muito poder viver o sonho que sonhamos.
Hoje consegui definir os meus sentimentos e os da minha "irmã". EU ESTAVA LOUCA PARA VOLTAR PARA MINHA VIDA, ELA ESTAVA LOUCA PARA NÃO VOLTAR PARA A VIDA DELA".

O SOFRIMENTO FAZ CRESCER....

Hoje a Flávia acordou bem cedo para ir na feira, foi com meu pai e minha "irmã". Em Pira não tinha feira e eu sempre adorei uma feira. Quando pequena eu acompanhava minha mãe e depois iamos eu e o Eduardo, em uma feira que acontecia aos sabados, proxima ao apartamento que moravamos em São Paulo, faziamos as compras e depois comiamos um pastel, é claro, sem o pastel não tinha graça. Aqui em Londrina tem feira e quantas vezes, quando passava por alguma feira, pensava que finalmente, iriamos poder fazer a feira novamente e que a Flávia iria adorar aquele movimento e depois das compras comeriamos um pastel. Acho que eu sonhava muito. Ela foi conhecer a feira, mas de forma bem diferente do que eu tinha imaginado, e o que eu imaginei jamais vai acontecer. É uma pena.
Fico muito emocionada quando fico prestando atenção na Flávia e vejo o quanto ela amadureceu e cresceu nesses poucos meses que se passaram da perda do pai. Ela mudou muito, já não tem mais aquele sorriso e aquele jeitinho inocente que ela tinha antes dessa tragédia toda. Aquela expontaneidade infantil, ficou para trás. Fico muito triste por isso, pois eu e o Eduardo, sempre pensamos, que quanto mais pudessemos prorrogar a infancia dela, melhor seria. E agora, quando olho para ela, vejo uma menina totalmente diferente, hoje ela é mais séria, já não dá tantas gargalhadas como antes, e o que mais me entristesse, o brilho do olhar dela mudou, os olhos dela sempre foram brilhantes, quando ela ria, eles riam junto, agora, já não é mais assim.
É claro, que sei que ela é uma criança e muitas coisas ainda vão acontecer na vida dela, que traram muitas alegrias, e, que de uma forma ou de outra, ela vai conseguir ser feliz novamente um dia, mas, essa mudança que houve com ela, nunca vai voltar atrás, essa marca ela vai levar para sempre. É uma pena, ela ter que passar por tudo isso com tão pouca idade, sei também que ela está triste, por me ver triste, mas por mais que eu queira não consigo evitar, não consigo sentir o minimo entusiasmo por nada, talvez eu volte a sentir alguma coisa boa, um dia, quem sabe. Mas, tenho certeza que a Flávia merece muito ser feliz, se sentir feliz.
Ela fica decepcionada por não ter sonhado mais com o pai, outro dia ela me perguntou "Será que só sonhamos 4 vezes e acabou?" e, eu não sei, pois também sonhei 4 vezes e não sonhei mais, e dessas 4 vezes, 3 sonhos foram bons, o último foi horrivel, e é com esse sonho que fiquei até hoje. Espero que tenha outros sonhos, que não fique só em 4, e pronto.
Na realidade, eu não conhecia nenhuma criança dessa idade, que tivesse ficado sem o pai. Claro que sei que a Flávia não é a única que está passando por isso, mas eu não conheço e nem nunca tinha conhecido outra criança na mesma situação. E percebo, que queira ou não, o fato de ter perdido o pai tão cedo, já faz dela uma menina diferente das outras, e isso não tem volta.
As crises de choro tem diminuido bastante, principalmente depois que os bichos vieram para cá. Ontem, ela ficou muito empolgada, pois ela levou um dos nossos jabutis para a escola, ela ficou tão feliz com isso. As outras crianças adoraram e ela foi super responsável com os cuidados com ele. Agora, ela já está perguntando se um dia ela pode levar a patinha Tina também.
Ela tem falado mais vezes também, a respeito da nossa mudança. Ela está ansiosa para ir morar na casa, ela não consegue entender que eu que ainda não consegui arrumar forças para fazer essa mudança. Eu tenho ido na obra, mas está sendo tudo tão difícil. Ontem tentei abrir uma caixa, nessa caixa estavam as panelas, as lindas panelas que compramos, resultado, fechei novamente a caixa, ainda não estou preparada para isso, para tantas recordações, para ficar cara a cara com os sonhos, que não vão mais se realizar.