TENHO QUE APRENDER

TENHO QUE APRENDER A CONVIVER COM A DOR DA MORTE A DA AUSÊNCIA DE QUEM EU AMO

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quinta-feira, 30 de junho de 2011

MENTIRA.

Tudo mentira, estou me debulhando em lagrimas, já mudou tudo de novo, já estou desesperada de dor de novo, por tudo que não vai acontecer, por tudo que deixou de ser...
Eu quero minha vida, eu quero meu amor, eu quero paz!!!!

A DOR VAI ME ENSINAR...

Hoje aconteceu uma coisa muito estranha, eu não chorei o dia todo, não por falta de vontade, mas me esforcei e consegui.
Consegui também mandar os documentos para fazer a pesquisa de inexistência de testamento, pois precisa ter esse documento para seguir com a parte burocrática. O advogado vai vir aqui em Londrina na semana que vem.
A raíva hoje foi a palavra de ordem, ela está cada vez mais latente, mas por incrível que pareça acho que isso que está me mandando para a frente, a raíva não está dirigida diretamente a minha irmã, e sim a mim mesma, por não ter usado minha voz e minha vontade enquanto havia tempo, esse vai ser o pêso que vou carregar comigo para sempre, eu ferrei com a minha vida, quando aceitei que minha irmã tomasse a frente. Estou pagando um preço grande por isso e vou pagar pelo resto da vida. Não vou me perdoar nunca por ter engulido todo o nervoso que algumas situações me provocavam. Sei que ela é uma pessoa boa, porem deprimida, e para não ver ela chorar, quem está chorando hoje sou eu, e hoje eu percebo, que se ela chorasse seria pela doença dela, e o meu choro é por ter perdido minha vida, para não ver ela chorar. Não, não valeu a pena!
Amanhã vou até a casa, quem continua cuidando das coisa é ela, pois essa casa virou a vida dela, eu e o Eduardo já comentavamos isso antes e meu irmão (o mais novo) e minha cunhada conheciam os meus sentimentos em relação a demora das coisas, e não enfrentava por não querer que minha irmã chorasse.
Um dia sei que vou ter que falar tudo isso, mas por enquanto ela também não se interssou de perguntar. Sei que todos os dias o carro dela está na casa até tarde, se puder ela passa o dia lá. Quando lembro de todo nervoso que passei e não falei nada, realmente, em nome da paz famíliar, que absurdo! como fui estupída!
Essa raíva toda é dirigida a mim mesma.
Mas, hoje, pensando bem, acho que devo assumir o que não assumi antes. Me faz muito mal quando vejo que no fim é ela que está tomando conta das coisas novamente, talvez esteja na hora de eu me lembrar do sonho da cadeira de rodas e começar a tomar a minha vida de volta, já que o meu lindo e esperado futuro não vai mais acontecer, que culpa enorme vou carregar no coração, se é que algum dia ele vai virar um coração novamente, com sentimentos. Porque hoje, apesar de não ter chorado, também não senti nada de bom no coração, ele continua estraçalhado como sempre.
Não sei se vou ou não morar naquela casa, mas é a única casa que tenho atualmente e o único lugar que tem alguma coisa do Eduardo para eu lembrar. O jardim sempre chamou "o jardim do Eduardo" pois foi ele que imaginou tudo que está lá hoje, as jabuticabeiras, a manga espada, a floresta de flamboyans, os ipês roxos e amarelos, e todas as outras plantas que tem. Ele passou dias e dias imaginando esse jardim, e quando ele vinha para cá, era o grande orgulho dele.
Estou cansada de não ter nada que nós gostamos aqui aonde estou, não temos roupas, objetos, casa, horários nossos, enfim, aqui não é a nossa casa e nem nunca vai ser. Vim para cá em fevereiro acreditando que no final de março a casa estaria pronta, mas tudo não passou de ilusão, eu acreditei nisso e não falei quando vi que estava tudo saindo dos planos, como fui burra!
Hoje também pensei que a Flávia tem razão em relação aos bichos, que não devo abandona-los. Então acho que está na hora de eu segurar as rédeas da minha vida, muito porque, eu não tenho escolha, de uma maneira ou de outra a vida está seguindo seu curso, pois, com dor ou sem dor preciso tomar decisões que só cabem a mim, e se não fui capaz de tomar antes, agora preciso fazer isso de qualquer forma.
Esse vazio no peito, sei que não vai passar, talvez algum dia, quem sabe. A metade de mim que foi arrancada também não tem mais como retornar, então no fundo, eu não tenho alternativa, e se for para ser movida a raíva, então vamos lá.
Acho que me dei conta de o que se perdeu, está perdido. Infelizmente essa é a verdade.
Amanhã é feriado de novo aqui em Londrina, sei que vai ser mais um dia de tormento ao invés de ser um dia  gostoso de feriado em família, mas essa é a minha realidade atual, nunca mais vamos ter um feriado em família, isso está enterrado junto com o Eduardo e o meu coração que foi junto com ele.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

ESCREVER É PRECISO...

Eu sei que não adianta nada essas lamentações sem fim, mas não consigo, e se eu não me lamentar aqui, onde vou fazer? Essa dor não me abandona nunca.
Tenho acordado todas as noites por volta das 3:00 e, é claro, não tem nada pior. No começo eu vinha para o computador, mas comecei a me cansar disso, então fico deitada no escuro, ao lado da minha filha, pensando em tudo que se perdeu para sempre, nossa, não dá para acreditar... simplesmente não dá.
Minha raíva tem aumentado a cada dia, e a minha impotência também.
Como posso viver sem os carinhos dele? como posso viver sabendo que nunca mais vamos dormir juntos, nem acordar juntos, nem vamos mais transar, nossa era tão gostoso! como posso aceitar a vida novamente sem ter tudo de novo? como posso me levantar, se só tenho vontade de morrer? como posso seguir adiante sem o amor da minha vida? como posso passar sem a proteção e a segurança que ele me dava? estou acabada, soterrada, enjaulada, atormentada, quebrada, esmigalhada, aturdida, e tantas coisas mais, que nem existem palavras para descrever o jeito que tenho me sentido, será que isso é normal? Será que eu estou muito doente?
Eu lí que quando agente se propõe amar e se entregar a alguém, estamos também sujeitos a perder, mas como aceitar isso? Nada me dá alívio nesse sofrimento.
Há alguns dias atrás, eu achei que tinha dado o primeiro passo, para conseguir ir adiante, mentira, dei um e retrocedi dois, portanto o que sinto é que estou num buraco mais fundo do que antes. É assim que me sinto, no fundo de um buraco muito grande, fundo e escuro, por mais que eu tente não consigo enxergar uma única fresta de luz, é realmente um buraco muito escuro, não dá para acreditar como eu vim parar aqui, e que também não estou conseguindo ver uma saída, e acho que porque não há saída, e também não sei se pode ficar mais profundo, se eu posso afundar mais do que já estou.
Ontem a noite falei para a Flávia da necessidade de ir para Minas, ela perguntou porque, e expliquei que temos que tirar as coisas da casa e que também temos que resolver o problema dos bichos, ela perguntou o que eu iria fazer com eles, eu disse que não sabia, então ela falou: "acho que devemos ficar com eles e trazer todos para nossa casa", qual casa eu perguntei, ela disse que na nossa casa nova. Realmente não sei o que fazer, não consigo nem imaginar mudar para a casa, porém não tenho como trazer os bichos aqui para casa do meu pai, afinal são 3 cachorros, 2 coelhas, 3 piriquitos, 4 jabutis,1 papagaio e um pato. Com excessão da papagaia, os outros são da Flávia, não só dela, são de todos nós, mas são os bichos que ela ama. Na casa foi feito espaços para todos eles, então tem o canil, o viveiro da Cléo, a casa dos jabutis, um bom espaço para as coelhas, com direito a tanque de areia, e um espaço para o Patinho, com lugar para nadar e tudo. Então é mais do que natural para ela, pensar em traze-los, já que durante meses ela ía na obra e nós falavamos, aqui é a casa da Cléo, aqui a casa das coelhas, e por aí vai, então está bem difícil de tomar uma decisão. Nunca abandonei nenhum bicho meu, não pretendiamos fazer isso na mudança, tanto que todos tem o seu lugar, antes na minha cabeça, eles viriam para completar nossa vida e dar mais vida a casa, mas agora me vejo diante desse dilema. Não sei como a Flávia reagiria no caso de arrumarmos novos donos para os animais. Tem uma cachorra que já está bem velha, a Duda, esse nome dela é uma homenagem ao Eduardo, que encontrou ela bem pequena na estrada, perto da nossa cidade. Foi em um mês de Dezembro, eu estava na minha loja, ele passou para se despedir, pois tinha uma viagem de trabalho, passados uns 15 minutos ele parou o carro novamente em frente a loja e me pediu para ir com ele, fui e na estrada um cena bem triste, tinha uma cadela morta no acostamento e um filhotinho bem pequeno e magro tentando espantar os urubus, foi mesmo de cortar o coração, e o próprio Eduardo não resistiu, por isso foi me buscar, pegamos um pano no carro e peguei a cachorrinha, ela estava muito feia, tinha umas feridas na boca, tinha sarna, e estava totalmente sem pelo no corpo. Levamos para o sítio e comecei a cuidar dela, com o passar do tempo ela melhorou, a sarna foi secando, mas as feridas da boca não, então levei ao veterinário e ela teve que ficar internada para fazer uma cirurgia para tirar todas aquelas feridas, deu tudo certo, ela ficou bem, só que quando o pelo  cresceu, ela ficou muito estranha, porque só nasceram pelos na parte de trás do corpo dela, ela era totalmente pelada na parte da frente, ela ficou muito feia. Até então, ela não tinha nome, pois não pretendia ficar com ela, só que ela era tão feia, mas tão feia que ninguém queria ficar com ela, aí já que não tinha jeito, nós resolvemos ficar com ela e dei o nome de Duda. O Eduardo gostou, ele adorava quando eu contava essa historia para as pessoas, ficava todo orgulhoso. Portanto acho difícil, agora, passados 11 anos dessa hístoria, eu me desfazer dela.
A Cléo, a papagaia veio para nossa casa no ano 2000, portanto também já esta com agente há 11 anos, as coelhas que chamam Suzi e Mel são da Flávia, e estão com agente há  4 anos, os jabutis também estão há vários anos, os piriquitos há 4 anos também, e o Patinho é do ano passado, a Flávia ganhou da mãe de uma amiguinha e ele foi criado dentro de casa, só quando já não dava mais para limpar cocô que ele passou a ficar em outro espaço, mas adora colo.
Como falar para a Flávia que não vamos mais poder ficar com os bichos que ela tanto ama, e que eram um complemento da família feliz que ela tinha? que nós tinhamos.
Eu sei que quando temos coisas pendentes para serem resolvidas, isso nos trás uma grande ansiedade, mas está difícil resolver essa questão.
Não queria estar na minha pele de jeito nenhum, queria ser outra pessoa, ou melhor queria ser uma coisa, qualquer uma, contanto que não tivesse sentimento algum.
De qualquer forma foi bom hoje lembrar dessa história da Duda, é a primeira vaz em muito tempo que lembrei de algo que aconteceu sem ficar chorando, pelo menos por enquanto.
A minha raíva em relação a minha irmã e a mim mesma continua cada vez mais forte e latente, preciso muito me segurar para não despejar tudo que estou sentindo, vamos ver até quando que vou aguentar e se vou aguentar, fico só pensando no meu pai, acho que se eu falar,  vai trazer um sofrimento grande para ele, e ele já tem 80 anos, comemorados em Outubro com uma linda festa. Estavam todos tão felizes!!!
Mas agora a realidade é outra e hoje, pela primeira vez, nesse momento estou sentindo um pouco de paz, não parou de doer, mas pelo menos agora, aquele desespero me deu um pouco de trégua. No fim eu acho muito alívio em escrever, já que não tenho com quem falar.

terça-feira, 28 de junho de 2011

A VIDA MUDOU PARA SEMPRE.

Estou totalmente agoniada, transtornada, desesperada, triste, sozinha e realmente mais que tudo, desesperada de dor, eu não aguento mais, quero sair de dentro de mim, quero não ser eu, nossa, não tem como resistir a esses sentimentos, é uma coisa que não tem fim, socorro!!!! Hoje está muito ruim mesmo, não sei porque piora a cada dia, o que todos falam, é que o tempo....mas o tempo passa, a cada dia é uma agonia e a cada noite é um tormento, não sei se consigo suportar. Eu não quero pensar, mas acontece contra a minha vontade, não sei como resistir a isso, não sei como vou poder suportar ir para Minas, esvaziar o sítio, não sei o que vou fazer em relação a bicharada, não sei como vai ser empacotar as coisas do Eduardo, como vou conseguir resistir a isso tudo? como vou conseguir enfrentar toda a parte burocrática que eu sei que tem pela frente? Nossa, é muito ruim não conseguir conversar com ninguém aqui sobre isso tudo. Acho que não estou conseguindo melhorar em nada, eu acho que eu deveria sair um pouco mais, mas cada vez que estou na rua sem mais nem menos começo a chorar. Estou super insegura, até mesmo para guiar sinto que não estou bem, nunca levei tantas buzinadas no transito como nesses dias. Não sei o que está acontecendo comigo, sempre que levo a Flávia na escola me sinto bastante tensa, fico com medo, eu não sou mais eu, mesmo!
A minha comadre tinha dito que viría para cá nessa semana, eu até que gostei da ídeia, mas ela não vem, e eu entendo, eu estou a mais chata, chorona, triste e tudo que está fazendo parte do meu mundo nesse momento, e ninguém suporta ficar ouvindo lamúrias, de uma pessoa tão maltratada, feia e tudo mais que eu estou, que também faz parte da minha vida agora.
Eu tento ter animo de fazer as coisas, eu gostaria de ter, imagine, eu não tenho nenhuma atividade para fazer,
como estava aqui esse tempo cuidando dessa obra, dessa droga dessa obra, então fiquei em uma situação bem difícil, não tenho uma rotina para retomar, pois não estava em minha casa ainda, então não tenho o que fazer, por enquanto não tive coragem de voltar lá na casa, a última vez que eu fui, para pegar as fotos, a casa estava tão morta e aquilo foi um choque para mim, porque era tudo tão lindo e cheio de promessas de uma fase de vida bem diferente da que vivemos nos últimos 20 anos, eu não consigo me conformar de termos perdido tudo isso.
É muito complicado estar morando numa casa que não é sua, a Flávia mesmo não tem mais uma rotina dela, nossa vida está totalmente suspensa no ar, e eu não sei como concertar, estou totalmente paralisada. Fico num estado de tensão constante, minhas mãos as vezes começam a tremer e o corpo também, nossa, é muito ruim.
Estou nesses dias me sentindo muito culpada e com muita raiva, raiva de quase tudo, mas é uma raiva dirigida a minha irmã e eu não sei como controlar isso para não explodir uma hora e falar coisas que possa trazer mais sofrimento ainda, então isso está me angustiando demais e estou com muita raiva de mim mesma por não ter tido voz mais ativa na obra, mas para não ver minha irmã chorar , em nome da paz famíliar, fui deixando ela fazer do jeito dela, e isso causou um atraso grande na obra, e com isso eu perdi a minha vida, pois não posso deixar de pensar que se ele estivesse aqui talvez não tivesse acontecido dessa maneira, ou mesmo que tivesse acontecido será que não daria tempo de fazer alguma coisa?  Isso está me martirizando demais, eu perdi minha vida, eu perdi meu amor, eu perdi o meu chão.
Realmente não sei como vou conseguir passar por todos esses pensamentos e sentimentos tão intensos que realmente parece que meu coração vai parar, hoje estou sentindo meu coração super disparado, e desde as 3:00 da manhã até agora, 17:03 não consegui sentir  um pouco, um pouquinho só de paz,
então hoje está sendo especialmente ruim.
Tenho lido muito sobre morte e luto e sempre está escrito que a morte faz parte da vida e que todos sabemos disso. Faz parte da vida nada, se fizesse não traria tanta dor.
Hoje o advogado que deu entrada no inventário marcou uma reunião comigo na quarta feira da semana que vem, isso também me deixou mais tensa ainda, não sei o que vai vir pela frente, com certeze mais angustia e sofrimento, a pouco tempo atrás não poderia nem imaginar, que hoje, em vez de estar arrumando a festa junina que iria inaugurar a casa e seria nesse próximo sabado, estou tendo que fazer um inventário???
como eu poderia supor uma coisa dessas?  Hoje eu entendo o que as pessoas querem dizer quando falam que na vida tem muito sofrimento, não só por mim, mas por todas as histórias tão tristes que tenho lido, realmente é um sofrimento. Claro que eu não pensei assim a vida toda, mas agora que perdi metade de mim, eu penso que a vida é muito ruim, não tem como viver incompleto, faltando justamente aquilo que nos faz feliz, o coração, porque não dá pra dizer que ainda tem metade, porque não tem, ele está tão partido, mas tão partido que não tem nenhum pedacinho pra contar história.
Eu não tenho conseguido olhar fotos e me sentir feliz com que vivemos, é como se não tivesse sido um momento tão feliz, eu não consigo me lembrar da alegria de ter estado naqueles lugares, não sei, sempre que olhava fotos, e sou louca por fotos, meus albuns são verdadeiros diários, e sempre que eu pegava alguma para olhar, mesmo que fosse de 20 anos atrás, eu revivia aquele momento como se estivesse acontecendo, sempre me deu prazer, mas agora vejo as fotos e parece que estou vendo outras pessoas na minha frente, não consigo mais sentir o momento e me sentir feliz com isso. Como é possível a vida se apagar tanto?
Eu sempre tive medo do Eduardo sofrer um acidente, pois ele viajava bastante de carro, de uns 4 anos pra cá ele viajava com um motorista, mas eu sempre ficava tensa, principalmente quando ele voltava a noite, sempre sentia um grande alívio quando escutava o carro chegando, mas nunca pensei na possibilidade de uma morte tão repentina. Quando alguém morria assim de repente, sempre pensava que para a pessoa tinha tido uma morte sem sofrimento, mas que deveria ser muito difícil para quem fica, e meus pensamentos se mostraram verdadeiros. Claro que não tem morte melhor, mas apesar do sofrimento que as pessoas enfrentam, talvez a doença de uma certa preparação, não que a dor seja menor, de jeito nenhum, mas essas tão repentinas... de repente entramos num cáos, nossa vida muda em 1 minuto e já temos que começar a resolver coisas praticas, sem nem ao menos ter  uma oportunidade de se preparar para todo o tormento que vem pela frente, porque daquele minuto em diante, a vida mudou para sempre

domingo, 26 de junho de 2011

EU PRECISO...

Chegou domingo a noite, ainda bem! Está quase acabando, isso quer dizer que é menos um dia de agonia, eu só não sei qunatos dias faltam, ams de qualquer maneira é um dia a menos, para o fim de alguma coisa.
Hoje recebí uma ligação de uma pessoa lá da cidade aonde morava, e nesse instante está passando na tv, lá embaixo, o programa do Silvio Santos, que é antigo, desde que quando eu era criança, não, eu não assisto Silvio Santos desde, nem sei quando, mas no carnaval, no hotel, trocando o canal de tv, estava passandp roletrendo e nós vimos e foi muito legal, é o que está passando lá embaixo agora.
Está muito difícil de não ter a minha casa novamente, o meu irmão está separado da mulher e mora aqui também, acho que vai ficar pra sempre, mas não é isso que quero, eu não consigo mais, viver com meu pai, com minha irmã e com meu irmão e os filhos mau educados que ele tem, daqueles que pegam a comida com a mão, que são grosseiros, que não respeitam nada nem ninguém, é, esses são os filhos do "meu irmão", está entre parenteses, porque não tem nada a ver comigo. Como posso ter me enganado tanto lá atrás, quando achava que ficar perto da família seria tão bom????? Nada tem sido tão horrivel quanto ficar perto da minha família, com exceção do meu pai, que continuo amando???, não existe mais ninguém com quem eu queira estar perto. Eu não suporto estar aqui, como minha irmã sempre falava antes do acontecido "ela está de favor na casa de meu pai", e, é isso mesmo, eu estou de favor aqui na casa do meu pai, eu realmente não moro aqui e nem quero morar. Eu, de alguma maneira, não sei qual, quero ter a minha casa, os meus horários, a minha vida (mesmo que seja, bem pela metade, de volta).
Eu não suporto mais viver... Eu não suporto mais minha família... Eu não suporto mais minha irmã ( aquela que cuidava da obra e fez todo o possível para transformar isso em um verdadeiro inferno), e ela fica naquela casa o dia todo se for possível, aquilo se transformou na vida dela, foi por isso a demora em todo o projeto. Ninguém, nunca vai saber como foi ruim deixar ela tomar conta dessa obra... Foi muito ruim, sabe quando alguém passa a viver em função de alguma coisa? ela fez isso.
Eu acho que não dá para levar a sério os meus sentimentos por causa da minha confusão, mas eu daría tudo para estar longe de toda a família e dessa cidade maldita, que no fim me tirou tudo que eu queria, agora já não creio mais no amor, e muito menos em família.
Eu preciso tomar um rumo... Eu preciso sumir.

EU QUERIA...

Eu queria muito que hoje não fosse domingo, os tão aguardados domingos, agora são os piores dias que existem, tá certo que os outros dias da semana, também são ruins. Mas os domingos sempre foram um dia especial, era o dia que ficavamos só nós três, e antes de termos a Flávia, eramos só nós dois e os cachorros, faziamos passeios com eles, durante horas, andando pelos pastos, descobrindo novos caminhos, e constumavamos não almoçar também, ficavamos comendo uma coizinha ou outra, isso era para não perder tempo, e a noite tinhamos um ótimo jantar, preparado por mim, é claro e tomando um vinho tinto delicioso, depois assistir um filme e namorar e namorar, é claro, foram domingos inesquecíveis... Mas, com a chegada da Flávia é claro que mudamos a rotina totalmente, mas passou a ser tão bom quanto antes, apesar de serem programas e horários totalmente diferentes. E com ela tivemos várias fases diferentes, a de ficar no quintal tomando sol no carrinho, passear de carrinho, depois ficar horas andando segurando a mãozinha, enfim, foram tantas. Então nesse domingo em especial, que está um dia chuvoso, um friozinho, já acordei com um nó na garganta, pra variar pensando em como estaria sendo se ele estivesse aqui, eu não entendo porque insisto tanto nesses pensamentos??
É tão dolorido pensar que nunca mais vou ter um domingo, nem um sabado, nem uma sexta, nem dia mais nenhum, em família. Esses pensamentos sobre que acabou a família tem me machucado demais e eu não sei como evitar que isso me torture, porque realmente eu adorava viver em família, e sinto muito também a Flávia ter perdido isso para sempre e com tão pouca idade. Eu tenho um adesivo daqueles da família no carro, e a pouco tempo ela perguntou para minha irmã se ía ter que tirar o papai.
Eu queria muito sonhar com o Eduardo, mas não aconteceu ainda, não sei se um dia eu vou sonhar. A Flávia já sonhou com ele e me contou e eu falei que nunca tinha sonhado ainda, ela me falou: "acho que é porque você chora muito, quando você parar de chorar eu acho que você vai sonhar." Ela é uma menina muito esperta e acho ela sábia também, e talvez ela tenha razão nessa afirmativa. De qualquer modo é muita sabedoria para uma menina tão pequena.
Essa noite passada eu acordei 2:40 e não conseguia mais dormir, fiquei na cama no escuro e nada de dormir, aí quando deu 4:30 eu tomei um remédio, não costumo fazer isso sempre, mas eu não estava aguentando ficar pensando, eu dormi, mas inevítavelmente o dia teima em amanhecer de novo e eu acordei  com aquele nó na garganta que rápidamente se transformou em choro, é claro e pelos motivos que já falei.
Eu queria muito sentir um pouco de alívio desses setimentos todos que ficam dentro de mim, estou enlouquecendo, hoje de madrugada eu pensei muito que as pessoas de fé costumam rezar e se apegar a Deus e conseguem um consolo, mas comigo isso não funciona, eu não sei porque sou tão cética em relação a Deus e as religiões, mas por mais que eu tente não consigo achar verdade alguma nisso tudo, e olha que tenho lido algumas coisas, mas nada me toca o coração, não consigo deixar de duvídar que tudo é uma mentira, que serve só para trazer algum consolo.
Eu queria que eu não tivesse amado tanto e nem me entregado tanto. Se eu tivesse amado menos, acho que estaria sofrendo menos. Se eu não tivesse feito tantos planos e sonhado tanto, acho que eu estaria sofrendo muito menos. Eu lembro que foi tudo muito bom, mas eu não consigo sentir nenhuma alegria quando eu lembro das coisas que faziamos, ou mesmo quando eu vejo fotos. Por enquanto quando penso em tudo isso só me vem dor.
Eu queria minha viva boba de volta e queria o tão sonhado futuro de volta também
Eu queria ser mais forte do que eu sou.
Eu queria conseguir ser mais racional.
Eu queria entender de uma vez por todas que acabou e ele não vai mais voltar.
Eu queria ter um pouco de paz e não sentir tanta dor.
Eu queria conseguir voltar a ser uma boa mãe e uma boa pessoa.
Eu queria ter com quem falar, ter um amigo por perto.
Eu queria parar de me afogar nesse mar de tristeza.
Mas, o que eu queria mesmo, era sumir, desaperecer, morrer...

sábado, 25 de junho de 2011

EU NÃO TINHA NOÇÃO...

Estou firme no meu propósito de me reaproximar da Flávia, mas o resto é muito complicado, como fazer coisas do cotidiano podem ser tão ruins?
Essa semana o nosso lindo carro ficou na oficina para consertar os freios, quem levou foi meu pai na segunda feira e hoje fomos buscar. Que dureza, apesar de ter a companhia do meu pai, não tem como não pensar e ficar com dor o tempo todo, como é ruim, é desesperador. Quando acho que estou começando a aceitar e entender que acabou, tudo muda de novo e eu começo a chorar e a me deseperar.
O simples fato de por combustivel no carro se torna uma tarefa árdua, fico lembrando de todas as vezes que fomos juntos abastecer o carro, claro que eu abastecia sozinha muito mais vezes do que junto com ele, mas é uma coisa tão irracional, que o tempo todinho, mas todinho mesmo estou com ele na cabeça, eu queria parar de pensar tanto, mas acontece sem a minha vontade, simplesmente é assim, chega a ser muito desagradável. Realmente o cérebro e o coração estão juntinhos, um pensa e lembra e o outro dói na mesma proporção e intensidade. Queria muito perder a consciência, assim quem sabe paro de sentir dor, está sendo insuportável mesmo, tenho vontades diversas ao mesmo tempo, me dá vontade de sair correndo e sumir, é uma pena que eu não sei como fazer isso, acho que só morrendo. Realmente, hoje em dia eu entendo como uma pessoa é capaz de tirar a própria vida, é tão dilacerente, é tão devastadora a dor que realmente dá vontade de acabar com ela e a impressão que se tem é que a morte resolveria tudo.
Eu tenho fumado muito esses dias, como nunca fumei na minha vida, antes o que era um prazer, agora é uma muleta sem tamanho, por outro lado estou sentindo os efeitos disso, e infelizmente quanto mais tensa eu fico mais eu fumo, então a coisa não tem fim.
Eu estou um verdadeiro lixo, por dentro e por fora, hoje me olhei no espelho depois que eu voltei do mecânico, pois ele ficava me chamando de senhora, e ele tinha toda a razão, não dá para ter noção de como estou feia, magra,meu cabelo não tem aonde piorar, minha pele está totalmente rececada e opaca, os olhos estão totalmente apagados, tenho usado óculos direto, pois não tenho animo de por a lente e também porque os óculos disfarçam bem o choro e os olhos bem inchados, não consigo dar um único sorriso, nem mesmo daqueles "amarelos, as minhas unhas estão cada uma de um tamanho, e com esmalte raspado, os pés estão, não tenho como descrever, de tão feios. Não tenho vontade de mudar de roupa, então tenho usado a mesma roupa vários dias, e confeço que tomar banho é um verdadeiro sacrifício, já fiquei sem tomar banho alguns dias.
Será que realmente isso vai passar algum dia? Eu não tinha noção que se pudesse sentir um sofrimento dessa magnitude, eu não tinha noção que o coração poderia ser partido em tantos pedacinhos e ficar totalmente destroçado e dolorido, eu não tinha noção de que existisse esse aperto no peito tão grande, eu não tinha noção de que nosso cérebro pode funcionar totalmente por conta própria, pois eu não quero pensar e ele inssiste em me lembrar o tempo todinho, eu não tinha noção de como o mundo pode perder totalmente as cores, os cheiros, os gostos, eu não tinha noção também de como sou fraca, insegura, doente, egoísta, chata, chorona, desinteressante, feia e muitos outros adjetivos, sei que não pensava isso de mim antes, mas é
assim que me vejo agora.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

EU VOU TENTAR...

Essa noite eu não consegui dormir a noita toda, e foi horrível como sempre, mas por outro lado, tomei uma decisão. Eu vou procurar com todas as forças tentar me equilibrar um pouco para poder dar mais atenção para a Flávia, ela merece muito isso.
Ontem à noite ela foi no aniversário da minha sobrinha, foram todos da casa, menos eu, fiquei aqui sozinha me lamentando e chorando e vendo tudo de mais triste e tétrico que a internet oferece, e coisas tristes não faltam. Como foi falado na interpretação do sonho, fiquei aqui me chafurdando na tristeza. Mas ela voltou bem tarde com a minha irmã e eu já estava dormindo,e a Flávia me acordou fazendo um monte de barulhos e eu fiquei de mau humor, e no fim briguei com ela e me dirigí à ela com raiva, falei coisas que não foram legais e ela ficou bastante sentida, mas eu estava com muita raiva, eu não conseguí mais dormir e ela teve uma noite super agítada,ela dormiu, mas ficou se mexendo sem parar e falava também dormindo, no fim eu fiquei com muita pena dela e muito arrependida por ter brigado com ela.
A culpa dessa distancia que está acontecendo eu sei que é minha, pois me fechei para todos, inclusíve para ela, que depende de mim. Ela está sofrendo muito com toda essa situação.
Então, resolvi que vou tentar com todas as forças acostumar a conviver com o aperto no peito, porque já ví que não vai passar mesmo e tentar ser um pouco mais carinhosa com ela, para ela sentir um pouco de segurança no meio dessa situação tão desastrosa.
Eu também preciso tomar tantas decisões sobre tantas coisas, que se eu continuar do jeito que estou não vou conseguir resolver nada direito.
Hoje me martirizei muito com pensamentos de que aquela semana poderia ter sido diferente em pequenas atitudes, como se aquela semana fosse voltar, e agora, estou pensando, que jamais alguém vai saber. Isso é torturante, mas mesmo querendo parar de pensar essas coisas, os pensamentos não desaparecem, é muito estranho e hoje tentei ver um pouco de tv, consegui quase prestar atenção no filme, não ví até o final, mas acho que já é um pequeno começo. Será????
Hoje, logo que a Flávia acordou ela me pediu desculpas por ter me acordado ontem, então abracei ela, e ela ficou tão feliz e quando ela foi se arrumar para a escola fui ajudar e ela me abraçou e me falou "te amo tanto mãe", então abracei e beijei e ela ficou em estado de graça, veio no meu colo, ela é uma menina muito especial e está sendo muito valente de enfrentar tudo como ela está fazendo, então vamos ver como vai ser, vamos ver se eu vou realmente conseguir ao menos tentar...

quinta-feira, 23 de junho de 2011

É SÓ UM LAMENTO...

Eu sei que não deveria mais estar lamentando pelo que iria ser, como iria ser, porque iria ser. Sei também que não devo mais ficar lamentando por como poderia ter sido. Mas é muito difícil não lamentar pelo presente... por essa angustia que não me abandona. Será que isso vai acabar algum dia???

SONHO OU PESADELO?

Ontem foi um péssimo dia no geral, eu sei que existe toda uma parte burocrática da morte que tem que ser enfrentada, e existe um prazo em que isso deve ser feito, como desde a segunda semana do acontecido já começaram a me informar que isso tinha que ser providenciado durante os primeiros trinta dias a partir do obto, entrei em desespero, pois não conseguia entender como alguém poderia pensar nisso com o coração totalmente despedaçado e com o cérebro entorpecido, realmente entrei em desespero e nesse dia liguei o computador pela primeira vez e fui pesquisar em inventário, então descobrí que pode ser feito com um prazo de 60 dias, me senti um pouco melhor poís teria um pouco mais de tempo para tentar imaginar como fazer isso, foram dias de muita angustia por ter que pensar nisso, não dá nem pra descrever a dor que isso causa, mas é a lei, que também quando criou essa dos 30 ou 60 dias, poderia ter criado alguma do tipo : "é proibido continuar sofrendo depois de 20 dias corridos do falêcimento de alguém, assim a pessoa já está recuperada para tratar de toda papelada, lei numero....." Mas enfim, fiquei sabendo que a família do Eduardo já deu entrada nesse processo no dia 12/06. Pra mim foi um choque, me senti super desrespeitada, e isso me derrubou mesmo, então ontem foi um dia de muito choro e sentimentos os mais diversos possíveis, nada poderia ter sido pior e para piorar isso foi feito lá em Minas, e eu logo logo vou ter que ir lá dar um jeito nas coisas  e sei que vai ser uma coisa muito ruim, e não gostaria de voltar lá novamente, então foi tudo muito ruim.
Na realidade o Eduardo já havia sido casado anteriormente e tem dois filhos desse casamento, uma filha com 36 anos e um filho com 34, e infelizmente eles nunca aceitaram muito nossa relação, o menino ainda convivia um pouco mais, mas a moça eu nem conheço, ela nunca aceitou me conhecer,e isso era um motivo de grande sofrimento para o Eduardo, ela realmente começou a desprezar ele e todas as tentativas de aproximação, é claro que isso trouxe alguns problemas para a nossa relação também, essa era a parte que não era um "mar de rosas" da relação, mas que fomos aprendendo a conviver, já que ela não queria se aproximar, o Eduardo sofreu muito mesmo com essa atitude dela, ela fazia verdadeiras malvadezas para ele, às vezes eu falava "com o passar do tempo melhora" ele acreditava nisso também, mas com o passar do tempo e ela desprezando cada vez mais, ele foi se conformando com a situação.
Quando fiquei grávida, a família dele ficou contente com a notícia, a mãe, os irmãos, as tias, mas o menino já começou a ficar com um pouco de ciúmes e ela nem ligou, isso magou muito o Eduardo.
Com o passar do tempo ela ficou grávida também e todos ficaram muito felizes, inclusive eu, pois achava que quando o bebê nascesse as coisas iriam mudar, a Flávia estava com 3 anos nessa época, e ia ser tia, achei que ela começaria a amolecer em relação ao pai, quando o bebê nasceu o Eduardo foi para São Paulo para conhecer a neta e perguntou se ele poderia levar a Flávia para conhecer a sobrinha e ela disse não. Aí,
acabou-se todas as esperanças de que iria ser diferente. E até hoje ela não conhece a Flávia. Ela viu a Flávia no velório do pai delas, mas ignorou totalmente, existem coisas que nunca vão mudar. A única vez que ele teve os filhos reunidos como ele tanto queria foi no velório, ironico não? Quanto tempo se perdeu com picuinhas e bobagens que poderiam ser evitadas se as pessoas respeitassem a escolha do outro, ela nunca aceitou que o pai não amava mais a mãe, nunca aceitou que ele se separasse da mãe, nunca aceitou ele ter se apaixonado por mim, e nunca aceitou a nossa união, claro que isso é um direito e uma escolha dela, que todos procuraram respeitar, mas que trouxe muito sofrimento para o Eduardo, não dá nem pra falar, foi uma não aceitação que fez muita gente sofrer, com certeza, inclusive ela.
Quanto ao menino, depois que a Flávia nasceu, o ciúmes dele piorou muito, e ela sempre toda carinhosa, ficava orgulhosa porque tinha um irmão, mas ele sempre foi bem seco com ela, não abrindo a guarda nem um momento, mais um motivo de sofrimento para o Eduardo, mas de qualquer maneira, com o filho ele sempre teve um relacionamento amistoso e eles se falavam todos os dias por telefone. Ele é um rapaz que tem dificuldades em manter relacionamentos no geral, e o Eduardo sempre tentou suprir um pouco, sendo uma presença constante na vida dele, ele também deve estar sofrendo muito com a falta do pai.
Mas com todas essas difículdades nunca deixamos de ser felizes um com o outro, afinal essa foi nossa escolha, nós realmente escolhemos um ao outro, e depois que a Flávia entrou em nossas vidas aí não poderia ser melhor de fato, ela encheu nossos corações de amor e de luz e o Eduardo tinha loucura nela, ela era uma paixão na vida dele e ele sempre me falava isso, o grande medo dele era acontecer alguma coisa com ela. Ele realmente fazia tudo para ver ela feliz, apesar de não precisar muito para isso, pois ela era muito feliz. Mas em todas as ocasiões ele não deixava de demonstrar o amor por ela.
Então, por tudo isso que me senti muito desrespeitada e chocada, com a abertura do inventário sem me consultarem, e não vou esquecer isso, foi uma cacetada. Uma a mais.
Essa noite tive um sonho estranho novamente, eu nunca fui de lembrar de sonhos e não sei porque últimamente tenho lembrado e o pior tenho procurado o significado, mas é interessante.
Sonhei que estava em um lugar que tinha muita água, uma água limpa porém muito agitada, e por alguma razão eu tinha que ir para esse lugar da água agitada, só que para chegar lá eu tinha que entrar em um lugar cheio de água suja, muito suja mesmo, então eu punha o pé, me dava nojo eu tirava, mas tentava novamente até que depois de varias tentativas eu entrei, para atravessar porque eu queria chegar na água limpa. Então acho que acordei, porque não me lembro de mais nada. Voltei a dormir e hoje , agora a pouco, lembrei do sonho, assim, sem mais nem menos, e fui procurar o significado e de novo achei interessante:
"Água em seu sonho simboliza o seu inconciente e seu estado emocional. Nossas emoções, intuitos,e instintos mais profundos estão em questão quando os nossos sonhos usam o simbolo água. Na verdade é o simbolo da vida.
Água suja: significa que você está se chafurdando em suas emoções negativas. Você deve devotar algum tempo para clarear a mente e encontrar paz interior. Por outro lado, sugere que seu pensamento/julgamento
está turvo e nublado. Dificuldade que terá que vencer.

Se você está imerso em águas barrentas indica que você está atolado até a cabeça em uma situação e primida por suas emoções.

Água agitada significa ferimento moral. Pedaços difíceis de serem vencidos na vida"

É no mínimo interessante, eu realmente nunca hávia procurado significado de sonho algum que eu tenha tido, e fiz isso esses dias, porque passo o dia na frente do computador, esperando o tempo passar, para ver se como mágica eu me livro desse peito apertado que me tira a paz totalmente.
Não sei o que vai acontecer e isso me deixa muito insegura e cada vez mais confusa.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

terça-feira, 21 de junho de 2011

O TEMPO SE TRANSFORMOU EM MEU PIOR PESADELO

Todos os dias tem choro, muito choro, choro meu, choro da Flávia, que todos os dias de manhã arruma algum tipo de confusão para chorar e gritar.
Realmente é muto difícil levantar a cada dia, essa noite foi péssima, não dormi, e quando isso acontece o tempo torna-se um inimigo poderoso, alías, o tempo tem sempre sido um grande inimigo, de uns tempos para cá. Foi-se o tempo  em que eu queria que o dia tivesse algumas horas a mais para poder dar conta de tudo que tinha que fazer, o dia passava tão rápido que era inacredítavel, num piscar de olhos estava na hora do almoço e em outro piscar já estava na hora de buscar a Flávia na escola. Como era bom.
Agora o tempo passou a ser um grande pesadelo, nunca pensei que ele poderia se arrastar tanto, hoje em dia é horrivel quando olho no relógio, os minutos não se esvaem mais, já cheguei achar que o relógio estava quebrado, mas não estava, quem está quebrada sou eu, quem está com defeito realmente sou eu. Os dias passam numa lentidão tão absurda, acho que é assim, para que eu possa sofrer e sentir dor cada vez mais, a vida realmente é muito cruel quando ela quer. Queria muito que os dia tivesse muitas horas a menos.
Era muita prepotência de minha parte, achar que eu era uma boa mãe, que eu tinha uma vida ótima, que eu estava conseguindo dar conta do recado, que eu ia ser feliz para sempre, realmente, quanta prepotência.
Eu às vezes encontrava um pouco de alento na Flávia, mas a situação está piorando a cada dia em relação a ela também. Já lí nesses dias, que a morte trás um desequilibrio na família, mas minha família era bem pequena e agora o desequilibrio se instalou de vez.
Quem tem me ajudado muito em relação a Flávia, é a Léa, essa pessoa querida por todos nós, que trabalhou comigo em Minas, durante mais de doze anos e que veio comigo para cá em fevereiro, veio ela e os filhos, dois adolescentes que estão estudando aqui agora, e que planejamos uma vida bem diferente da de lá, aqui eles teriam uma oportunidade de estudar, de fazer uma faculdade, como não teriam jamais lá. Então
quando convidei a Léa para vir com agente, pois o carinho e o respeito sempre imperaram nessa longa convívência, ela não exitou e se mudou para cá com os filhos. Ela iria morar, como está morando em uma casa lá no terreno de nossa casa, como o terreno é grande, na época que começamos a construir achamos que seria ídeal ter um caseiro, então foi feita uma casinha bem bonitinha, com quintal e varanda. Com a mudança se aproximando começei a pensar na possibilidade de em vez de ter um caseiro, ter a Léa aqui com agente, logo que essa ídeia surgiu falei com o Eduardo e ele comprou a ídeia na hora, achando que iria ser uma coisa muito boa para todos, para ela a oportunidade de sair de uma cidade bem pequena que não tem recursos para nada, para os filhos a oportunidade de fazer uma faculdade ou outra coisa que eles viessem a desejar, para a Flávia seria ótimo, pois ela conhece a Léa desde que nasceu e ama a Léa com paixão, então seria uma perda a menos para a Flávia, e para nós porque ela sempre cuidou de nós e de nossa casa com carinho, fora, que ela cozinha como ninguém... E assim foi feito, arrumamos a casa para ela bem bonitinha, bem aconchegante e ela e os filhos se mudaram, enquanto a nossa casa não ficava pronta de vez. Veja que situação boa que foi criada para que todos pudessem ser felizes e aproveitar coisas novas, diferentes, enfim ter uma vida nova de fato. O Eduardo estava se sentindo feliz com esse arranjo, principalmente por achar que estavamos fazendo alguma coisa que realmente faria diferença na vida deles, uma oportunidade importante para o futuro. E é essa pessoa quem tem dado muito carinho e atenção para a minha menina, como ela tem me ajudado... Na parte da manhã ela vem aqui para a casa de meu pai (é na mesma rua de nossa casa) e se desvela para dar  carinho e brincar com a Flávia com toda paciência que ela tem, mas até com ela a Flávia tem tido algumas reações agressivas e eu sei que ela, a Léa também está sofrendo muito com toda a situação. Mas de qualquer maneira se ela não estivesse aqui nem sei o que seria da Flávia, pois a minha paciência anda bem curta. Eu já tinha brigado com a Flávia algumas vezes e era só mudar um pouco o tom da voz que estava tudo resolvido, agora nesses dias eu já BERREI com ela não sei quantas vezes, poi isso que agora eu sei do tamanho de minha prepotência em achar que eu era uma ótima mãe, e o pior, o Eduardo também achava que eu era tudo isso como mãe, ele achava que eu sabia lidar muito bem nas situações de choro, de manhas e todas as situações rotineiras que envolvem uma criança. Agora não passo de uma mãe sem coração, que não tem mais paciência, que não brinca mais, que não conversa mais, que está fechada e trancada dentro dos próprios sentimentos como uma ostra, como uma pedra.
Eu realmente não sei como posso ter me transformado tão rápidamente em uma pessoa totalmente insuportável, pois eu também não aguento ficar perto de mim, só fico porque não tenho saida.
É incrível como a alegria e o riso unem as pessoas e também é incrível como a tristeza e o choro afastam todos, ninguém gosta de ficar perto de uma pessoa chorona, a Flávia tem horror de ficar perto de mim quando choro, meu pai também, meu irmão nem chega perto, meus sobrinhos fogem e vão arranjar logo outra coisa pra fazer, até mesmo minha comadre, que eu falo as vezes por telefone, me fala que eu devo chorar, mas se choro no telefone eu percebo o quanto é ruim para ela, a minha sogra já nem me liga mais e nem as tias do Eduardo, se alguém vem me visitar e eu começo a me emocionar a pessoa já muda logo de assunto, a minha irmã já chorou comigo algumas vezes, mas também procura evitar conversas , que inevitavelmente vão levar às lagrímas, portanto, aprendi que realmente a tristeza e o choro não fazem bem para ninguém, e até entendo que além de ser muito chato as pessoas se sentem muito impotentes diante dessa situação. Só mesmo o Eduardo que conseguia me ver chorar e não saia de perto, ele sempre me abraçava muito nesses meus momentos, principalmente quando eu estava triste com a morte de minha mãe, e também em outras ocasiões, tipo quando morreu a Laica, nossa querida cachorrinha, quando morreu o Zeca, nosso amado macaco, ou quando simplesmente me dava vontade de chorar à toa, principamente por causa da TPM. Parece que eu vivia chorando, mas não era assim, eu chorava de vez enquando, acho que como todos nós, mas quando o Eduardo estava perto, com certeza era bem mais facíl passar por esses periódos de tristeza. Alguns dias antes de vir para Londrina, tive uma crise de choro em Minas, porque estava sendo muito triste desmontar a casa em que vivemos durante 20 anos e que fomos felizes, estava chorando lá no quintal, depois do jantar, e daqui a pouco estava ele lá pra saber o que estava acontecendo e quando eu falei, lá estava meu consolo, pois ele também estava se sentindo como eu, afinal nosso lar tão aconchegante, agora estava despido de tudo que tornava nossa casa um lar, já não tinham mais quadros de fotos nas paredes, nem enfeites pelos móveis, nem armários na cozinha, enfim, estava tudo tão feio e triste, mas sabiamos que iria ser passageiro e que logo, logo iriamos transformar nossa linda casinha nova em outro verdadeiro lar. Eu precisava muito do abraço dele hoje me falando "calma, paula, calma, tudo vai dar certo",
mas cadê os braços que me envoveram durante tantos anos e que sempre me devolviam a calma??? Eu quero, eu preciso do meu amor, eu preciso do meu homem, eu preciso...
Eu sei que pareço uma criança mimada falando, mas porque realmente não pode existir um gênio, como falou a Flávia, um gênio que pode tudo para trazer ele de volta???
Sinto que a cada dia que passa nada melhora, pelo contrário, tudo está piorando, tudo está mais desesperador, tudo está perdendo o brilho cada vez mais. Eu realmente não sabia que amar poderia ser tão dolorido, poderia ser tão arrasador, sempre achei que amor era uma coisa muito boa, como posso ter vivído tanto, sem saber de nada mesmo. Tudo que eu acreditava como certo era uma grande mentira, uma grande farsa, realmente eu era muito prepotênte.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

NÃO QUERIA ENCARAR O DIA SEGUINTE, NÃO QUERIA TER QUE ACORDAR AMANHÃ

Hoje minha filha foi convidada para o aniversário de uma amiguinha da escola, o primeiro convite que ela recebe, aqui em Londrina, não é bem uma festa, vai ser em um shopping aqui da cidade, naquela parte que tem brinquedos, ela ficou empolgada e minha irmã foi levar ela, e agora estou aqui em prantos, porque era para mim e o Eduardo estarmos indo levar ela, e a minha doença é tão grande, que não consigo parar de pensar em como seria para ser, e eu fico imaginando, que enquanto ela estivesse na festa nós iriamos passear pelo shopping e tomar um lanche, andando de mãos dadas, daquele jeito quando entrelaça os dedos, ou abraçados e conversando. Era isso que era para estar acontecendo agora e não eu estar aqui escrevendo e escrevendo para ver se me dá algum alívio.
Hoje de manhã já começou muito mal, quando falei para a menina que ela tinha que lavar o cabelo, foi aquela choradeira, e ela começou a me agredir com gritos, ela anda meio agressiva ultimamente e ela nunca foi assim, mas é claro que também ela não tinha motivos, tudo era sempre alegre e decidido em um clima bom, então tudo virava uma brincadeira, desde tomar banho, fazer tarefa, almoçar e por aí vai... mas agora com esse clima tão triste e desgastante que está por aqui, ela também está rescentida. Hoje passei bastante tempo lendo sobre luto infantíl, e essa agressividade meio que faz parte do quadro, já que ela não consegue se expressar com palavras e tudo fica mais difícil, porque quando ela começa a falar do pai, em algumas situações nós lembramos e achamos engraçada tal cena que aconteceu, mas na maioria das vezes meus olhos se enchem de lagrímas, e aí ela não quer me ver chorar, ela tem horror disso, então mudamos de assunto. Tudo isso me preocupa e por tudo que lí hoje não é bom ela ficar guardando os sentimentos dentro dela, e lí também que as crianças fazem isso, porque elas não querem piorar a situação de tristeza dos adultos, no caso eu, é claro.
Ela também sente falta de quando eu chamava ela por apelidinhos carinhosos, tipo baixolete, Maria baixinha, gatinha, amorzinho, Fláviana e muitos outros, ela adorava isso, mas eu nunca mais consegui chamar ela pelos apelidinhos, pois isso acontecia tão naturalmente e com tanta alegria que agora eu não consigo, porque vai soar totalmente triste e sem sentindo, sei que mais uma vez estou sendo egoísta, mas eu não consigo fingir, eu nunca consegui, sempre que estava bem todos sabiam e sempre que ficava mal também sempre foi muito evidente, eu era assim. Claro que já tentei me esforçar para voltar ao normal, mas realmente não consigo, é uma luta inglória.
Estou muito preocupada de não conseguir dar conta do recado de criar a menina, nós sempre tivemos como objetivo faze-la feliz, mas era tão natural isso antes e agora estou perdida em relação a isso também. Quando ela grita comigo eu não sei como reagir, pois sei que ela também está sofrendo e não sei como diminuir essa dor que ela sente também, portanto não repreendí ela por isso, mas também acho errado deixar ela gritar comigo desse jeito, aí ela se arrepende, me abraça, pede desculpas e daqui a pouco está acontecendo novamente, eu não sei o que fazer, realmente não sei, nunca me senti tão impotente como tenho me sentindo. Acho muito injusto uma menina de 7 anos estar passando por essa situação toda, sei que ela não é a única e que existem situações piores, mas essa é a nossa história e sendo melhor ou pior do que outras, está sendo muito sofrido passar por isso, como já falei antes, para mim tudo isso é uma tragédia, uma grande tragédia na minha vida pessoal.
Eu tive uma infancia super boa, minha mãe sempre inventava programas para fazer com as crianças, somos em 5 irmãos, tipo, nas férias passar o dia no zoologico, e como o dinheiro era curto, ela e minha avó faziam lanches e maçã do amor para levar, meu pai nos levava de manhã e a tarde ia buscar, e passavamos o dia felizes da vida, e ela às vezes levava também os amiguinhos, e assim acontecia no play center, no salão da criança, no parque do estado, no Ibirapuera e por aí vai...Eu sempre falei tanto disso com o Eduardo, que ele comprou a ídeia e estavamos sempre inventando algo para fazer com ela. Na última vez que estivemos em São Paulo, na páscoa, além de fazermos compras para a casa nova, também fomos no Simba Safari,  no Zoologico e no Instituto Butantã, foram os nossos últimos passeios em família, e deixamos combinado que da proxima vez iriamos no Parque do Estado e na Casa dos Bandeirantes, só ficou na combinação, não vai mais acontecer e isso enche meu coração de tristeza e angustia, aí ,como dói.
Sinto tanta raiva da vida e de mim e até mesmo do Eduardo, já fiquei com raiva de tudo isso antes, mas quando estava com raiva da vida, logo melhorava, quando ficava com raiva de mim, logo procurava fazer alguma coisa diferente e melhorava, quando ficava com raiva do Eduardo eu brigava com ele e falava porque estava com raiva e nos entendiamos e pronto, problemas resolvidos. Agora, não melhora a raiva da vida, não consigo fazer nada diferente para melhorar para mim mesma e não tenho como brigar com ele e falar o que sinto, para melhorar geral, não tenho ninguém para me abraçar e falar: "calma, Paula,calma", não tenho mais quem me escute e me acalente, é tão triste viver assim...
Sei, hoje em dia que foi errado eu ter em entregado tanto assim para uma pessoa, mas foi isso que fiz, me entreguei de corpo e alma(?) para a pessoa que eu amava e que sei que me amava também, e egoísticamente de novo, queria ter morrido antes dele, acho que ele conseguiria ser bem mais forte do que eu, pela própria criação que ele teve, bem diferente da minha, ele conseguiria suprir bem melhor do que eu, as necessidades de nossa filha.
Eu não sei fazer outra coisa sem ser me lastimar por tudo que foi perdido naquele dia 13, não consigo ver pela frente nada que vá mudar isso.
Nunca me senti tão bem com uma pessoa quanto me sentia com o meu Gatão, meu lindo e querido Gatão, que vontade de me afogar em lágrimas e acabar logo com esse sofrimento todo, que vontade de sumir desse mundo e não ter que encarar o dia seguinte, não queria ter que acordar amanhã, pois não vai ser diferente de hoje, e hoje foi um horror...

domingo, 19 de junho de 2011

A TRISTEZA É UMA MULTILAÇÃO DO CORAÇÃO, E NÃO TEM COMO SE RECUPERAR

Ontem foi o dia da festa junina da escola, eu imaginava que não seria agradável, mas foi pior do que eu supunha, que coisa triste passar por isso. Era para ser um dia muito legal, é claro, ela ia dançar a quadrilha que tem ensaiado todos esses dias, mas eu me senti muito mau e angustiada, pois sei que o pai dela adoraria ter participado de tudo e, é claro eu também. Eu e ele adoravamos uma festa, até de criança, eramos sempre os últimos a sair. Sempre antes de ir para uma festa ele falava para mim "não vamos ficar até muito tarde" e eu "tá bom, vamos só ficar um pouco", mas chegando lá sempre encontravamos amigos e aí a coisa rendia, normamente faziamos parte do grupo que saia por último, era muito bom.
Festa de casamento então, que delícia, dançavamos até... nossa menina também, adora dançar. Eu adorava dançar, não que eu saíba dançar, dançar junto nunca foi meu ponto forte e como o Eduardo também não era bom dançarino, então nos entendiamos muito bem, ele era meu parceiro perfeito, nós dois dançavamos muito mal.
Mas ontem nossa menina dançou muito bem, e estava radiante com seu lindo vestido branco e vermelho de corações, o mesmo vestido que ela usou o ano passado no nosso "5 ARRÁIA", O ano passado pela quinta vez fizemos a nossa festa junina, pois o sítio era o lugar perfeito para isso, e era uma festa grande, para mais ou menos 300 pessoas, era lindo ver tudo enfeitado e iluminado, com barraquinhas de pastel, cachorro quente, mini pizza, bebidas, quentão, cadeia, pau de sebo, fogueira e super bem decorada. Passavamos dias e dias, eu e minha comadre preparando os enfeites, e o Eduardo participava ativamente também, principalmente na arrumação da festa, e aí era só diversão. O tema do ano passado foi: "O arraía do coração", daí o vestido de coração, eu e nossa menina sempre faziamos vestidos iguais, e o lenço do Eduardo era do mesmo tecido, então ficava tudo muito divertido. Nessas festas o meu pai e minha irmã também iam, e isso tornava tudo melhor ainda. Esse ano haviamos combinado que a inauguração de nossa casa iria ser com uma festa junina, seria a 6 festa, porem a primeira aqui em Londrina, fizamos a casa inclusive, um pátio para fogueira, a festa seria a semana que vem, iria ser uma ocasião única, já previamos a felicidade e alegria que iamos sentir em compartilhar nossa casa nova com os amigos. Mas isso já é passado agora, nunca mais vai acontecer.
É incrível como todos os sonhos e planos se esvaem quando recebemos a pior notícia de nossas vidas, é incrível como tudo vira pó.
Hoje pela manhã, meu pai recebeu a notícia que a irmã dele havia morrido, hoje cedinho, ele e minha irmã foram para São Paulo, eu fiquei um pouco triste com mais essa notícia, mas confesso que meu coração está tão endurecido, que as emoções não fluem mais como antes, então fiquei triste pela minha prima, mas não sinto mais nada, meu único sentimento atual é esse vazio no peito que insiste em ficar aí durante todo o tempo, mas o tempo todo mesmo, e acho que é com esse sentimento que preciso me acostumar a conviver, pois acho que isso vai fazer parte de mim daqui para frente, mas é muito ruim de sentir isso e com esse sentimento acho que vou acabar me transformando em uma pessoa muito amarga, nossa que droga de vida!
Realmente eu não tinha noção de como a vida cobra da gente o que ela nos deu um dia, a lei da vida deve ser mais ou menos assim: pronto você já teve sua cota de alegria e felicidade, agora vou te cobrar com juros e correção o que já te dei, agora você vai me devolver e chega de ser feliz, quero que você me devolva com sua tristeza e infelicidade. Então é isso, agora estou pagando um alto preço pelo que vivi, é um preço bem ALTO mesmo.
Todos os dias me sinto multilada, quando eu escutava alguma notícia de alguém que sofreu algum acidente e perdeu algum membro, sempre ficava triste com isso e tentava imaginar como a pessoa viveria daqui para frente, como ia ser tudo difícil até a adaptação, mas eu não sabia que também existia esse tipo de multilação, do coração, dos sentimentos. E assim como um membro não cresce novamente, o coração e os sentimentos também não tem mais recuperação.
Eu sempre soube que a morte existe, é claro, mas é que não consigo entender como isso foi acontecer nesse momento, sei também que não existe um momento certo, afinal ninguém deve falar: "pronto, agora posso morrer, hoje parece um bom dia para isso", apesar de saber disso tudo acho que vida foi realmente muito ruim, tirando meu amor tão de repente de minha vida, faltando 15 dias para mudarmos para nossa casa, que tinha tudo que sonhamos juntos.
Tudo me faz chorar, tudo me lembra dele e do que aconteceu, não consigo ter momentos de tranquilidade, não sei mais o que é isso. É a pior coisa do mundo. E me entristeço mais ainda por saber que isso é para sempre, não é igual a se recuperar de uma gripe, que quando a febre passa, o apetite volta, e dois dias depois vamos em frente, vamos deixar aqueles momentos desagradaveis para trás, e voltamos a vida normal. Não, isso não tem recuperação e a cada dia que passa fica um pouco pior, pois a situações vão acontecendo e a cada nova situação sinto como estou mais e mais triste. Eu realmente gostaria muito de morrer para acabar com esse sofrimento e essa dor que me corroí. Sempre pensei que suicídio é um ato desesperado e covarde, de alguém que não conseguia enfrentar os problemas, mas confesso que hoje eu entendo, a pessoa está tão desesperada de dor, que prefere acabar logo com isso. Eu não vou me matar, pois acho que essa deve ser uma herança particularmente ruim para quem fica, e sei que tenho minha filha e meu pai que não merecem isso, mas também confesso que nunca pensei tanto na morte como agora e se ela viesse para mim, seria bem recebida, seria muito bem vinda. Infelizmente não sou forte o suficiênte para lidar com essa perda que me destruiu a alma, se é que ela existe mesmo. Minha falta de fé não me ajuda em nada, pois tenho lido muito sobre mortes e sentimentos,e já sei que quem acredita em Deus, se apega a ele com tal força que isso acaba trazendo um consolo, mas eu não sou assim, não acredito em nada, não sinto a presença do meu amor, como vejo em tantos relatos. Olha, está muito difícil e não sei como passar por essa multilação que a vida me causou, mas a cada dia que eu acordo é um tormento sem limites. Eu ouvia falar que a vida é sofrimento, mas na minha ignorância e ingenuidade, naõ sabia que a vida é tão tragíca, e não estou falando só da minha não, tem pessoas que sofrem muito, mas muito mesmo. Sei que deveria agradecer por tido a oportunidade de ser feliz, porque briguei muito para ser feliz e recebi de coração aberto o que a vida me dava, mas em nenhum momento, atualmente, pensei que a morte pode ser bem mais cruel do que se imagina. Que não existe como reverter a situação. Já passei horas e horas nesses dias pensando o que poderia ter sido diferente, e é claro que cheguei a varias conclusões, é claro que alguma coisa naquele dia poderia ser diferente e então o que aconteceu não teria acontecido, mas é tão inutil pensar nisso, porque não tem como voltar para aquela semana e mudar o que deu errado, mas mesmo sabendo disso não paro de pensar o que eu poderia ter feito para ter sido diferente, o que o Eduardo poderia ter feito para que tivesse sido diferente, mas é tudo inutil, a vida é uma droga, eu não queria continuar.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

COMO VIVER SEM METADE DE MIM?

Hoje em especial estou me sentindo péssima, já não dormi direito, aquela noite que você dorme um pouco, acorda, pensa, dorme mais um pouquinho, sonha, acorda, pensa, chora e por aí vai. Portanto de manhã estava em frangalhos.
Hoje também tive que ligar para lojas, nas quais compramos algumas coisas para a casa nova, e agora está tudo pronto para entregar, nossa que triste... tudo que compramos juntos, fazendo os planos de aonde colocar, como ficaria, que plantas iriamos colocar em tal lugar, e isso aconteceu a tão pouco tempo atrás, não dá nem para acreditar.
Eu realmente não sei como faço para viver sem metade de mim, como podemos viver sem essa metade? alguém sabe me falar?
Quase tudo faziamos juntos, claro que ele tinha o trabalho dele, viajava bastante, então durante o dia era só por telefone, mas tudo que tinha que ser resolvido eu sempre perguntava, claro que no fim acontecia como eu já havía planejado, mas de qualquer forma era muito bom ter com quem compartilhar as coisas.
Era tão legal quando ele chegava de viagem a noite, e as vezes não escutavamos o carro chegar, e eu e minha filha estavamos vendo tv, de repente abria a porta, ele entrava e falava "meninas... cheguei", nossa era muito legal e vejo essa cena em todos os momentos em que fico pensando, era simplesmente mágico. Outras vezes escutavamos o carro chegando e lá ía nossa filha correndo chamando, papai, papi, que saudade, nessas vezes era ele que delírava, colocava a mala no chão e vinha com ela no colo todo radiante, e aí era a minha vez de ganhar beijo e abraço, era tudo de bom!
Aos domingos, depois do almoço, que eu preparava, davamos uma descansadinha e aí começava e brincadeirada com a menina, e no final da tarde pai e filha custumavam ir catar o lixo na estrada, era muito bom para eles, era um momento deles, depois de catar o lixo iamos tomar um sorvete na sorveteria da praça, aí ela fazia uma lambança, mas era muito divertido.
Agora preciso arrumar forças para enfrentar a festa junina da escola da minha filha, não vai ser fácil não, pois não tem como pensar que era para estarmos fazendo isso juntos, em família, e agora que vai ajudar ela na barraca é o meu pai, nossa que tristeza... na última conversa que ele teve com nossa filha, eles falaram exatamente disso, ela falou que ele iria ter que ajudar na festa e falou a data e ele gostou, quando eu falei com ele naquele mesmo dia, também falamos sobre isso e que já iriamos estar morando em definítivo em nossa linda cazinha, mas mesmo assim ele estava muito triste de estar lá e eu aqui. Então eu sei que amanhã vai ser muito difícil se encarar, estou muito mal com isso, como eu queria que fosse diferente.
Por tudo que me vem na cabeça, todas as cenas vividas, as fotos que eu fico vendo, tudo tão recente, e eu me pergunto: "como uma pessoa pode simplesmente desaparecer? sumir da nossa vida?".
É claro que nem tudo era perfeito sempre e um mar de rosas, também existiam brigas, bate boca, irritações, chatices de ambas as partes, mas a maior parte do tempo era um mar de rosas sim, sei que mais uma vez estou com pena de mim mesma, mas como podemos desaprender de viver bem, de ser feliz? Quando estamos felizes, as vezes nem damos o valor devído, mas sabemos que estamos bem, tranquilos, em paz e agora tenho que aprender a conviver com essa dor que não me deixa nem um pouco, pessoas já me falaram que eu vou ter que aceitar essa dor como parte da vida, mas eu não quero viver assim não, eu queria estar com meu principe, não tem como conviver com esse desanimo, essa apatia, minha única vontade é ficar sozinha, levar e buscar minha filha na escola é um grande sacrifício atualmente, e se eu conseguisse dormir o dia todo eu faria isso, mas infelizmente eu não consigo e então os pensamentos ficam cada vez tristes e sombrios, eu queria muito não estar assim e não tenho certeza realmente se isso vai melhorar algum dia, eu estou um lixo, não tenho vontade nem de tomar banho, não consigo escolher uma roupa, então uso a mesma vários  dias, assim fica bem fácil, vamos ver aonde vai dar isso tudo, mas é muito triste que a vida tenha que continuar, eu realmente gostaria que ela se encerrasse logo, sei mais uma vez do meu egoísmo, pois tenho uma menina para criar, como todos me falam, mas já falei também que não consigo mais dar para ela o amor que ela merece, e já escreví que se alguma coisa me acontecer, quero que ela seja criada pela minha comadre, a madrinha dela, que eu sei que vai mostrar pra ela que a vida é bela, é boa, e que podemos ser felizes, sei que essa é a minha obrigação, mas como sou uma pessoa muito infeliz hoje, como posso mostrar que a felicidade existe? sei que já fui feliz, e muito, mas a tristeza trás uma angustia tão forte que é impossivel lembrar do sentimento de felicidade e paz, não dá nem para lembrar mesmo, mas era muito bom acordar de manhã e realmente falar pra todos que encontrassemos BOM DIA!, com alegria, com entusiasmo, e isso já não existe mais em mim.
Hoje, quando uma pessoa que conheço ficou sabendo do ocorrido, ela falou "posso imaginar como você está se sentindo, pois quando vocês estiveram aqui percebi o quanto ele era apaixonado por você e como vocês estavam felizes escolhendo tudo com tanto carinho" é claro que isso rendeu um tempo de choro, pois é a pura verdade, ele era muito apaixonado e eu também, as vezes brigavamos por causa de ciúme bobo, tanto ele, como eu.
Então por tudo isso como vou fazer para viver sem metade de mim?

quinta-feira, 16 de junho de 2011

ESSA É A MINHA TRAGÉDIA PESSOAL, E NINGUÉM VAI VIVE-LA POR MIM.

Não, não, não, eu não consigo entender nem suportar o que aconteceu.
Hoje chegou o convite de festa junina da escola da minha filha e quem vai trabalhar com ela na barraca de argolas é o meu pai, ela deu o nome dele na escola, porque senão não iria ter quem participasse com ela, ainda bem que tenho o meu pai para fazer isso por ela.
Continuo paralizada e triste com o rumo que minha vida tomou depois que o Eduardo morreu... A morte é muito triste, e eu estou aqui escrevendo para parar de chorar, é tão injusto, é tão triste, mas enquanto escrevo vou me acalmando porque tento prestar atanção no que vou escrevendo e isso me tira desse estado de torpor pelo que aconteceu.
Como já disse antes, vivo lendo coisas tristes, pois é isso que combina comigo atualmente, e seii que isso que estou vivendo muitas outras passoas já viveram ou vivem hoje mesmo, nesse momento, mas não existe nada tão triste como a morte, aquilo que é para sempre, para sempre, eu queria ser feliz para sempre com o meu principe, o meu amor, o meu tudo... Já lí também que isso é um apego pessímo, pois perdemos a identidade, mas essa é minha vida, eu sou realmente muito apegada a ele, ele me dava segurança, amor, compreensão, ele fazia quase tudo e eu sempre deixei, uma porque ele gostava e porque eu gostava também. Eu amava minha vida!!!
Eu não sei se estou muito doente, eu acho que sim, mas já tentei tomar um anti depressivo e foi horrivel, acho que não deu certo para mim.
Não existe nenhum momento do dia ou da noite que eu não lembre dele, dos momentos tão especiais e bons e pessimos também que passamos juntos.
Eu realmente não me reconheço mais e se fiquei muito dependente foi por puro amor, por acreditar que iria durar para sempre.
É claro que todos sabemos que vamos morrer um dia, mas esse pensamento era tão distante de minha vida que nunca levei a sério a ídeia de morte, no dia que aconteceu não tive nenhum prescentimento do que iria acontecer, não tive nenhum aviso, nunca me passou pela cabeça perder alguém que eu amava tanto e me fazia tão feliz, e com todas as mudanças se aproximando de nossa vida... Iria ser uma mudança tão feliz!
Não consigo amar minha filha como antes e nem minha família... Eu estou bem doente.
Me dói muito ver minha filha precisando de muito amor e ela ter que encontrar isso em outras pessoas que não em mim, pois eu não consigo me fazer de forte, eu realmente estou muito triste, e minha tristeza me cega para qualquer coisa da vida, eu sou muito egoísta, mas está sendo muito difícil acreditar que isso tenha acontecido.
Claro que eu gostaria de me sentir como antes, sei que não tem retorno, mas eu me pergunto, como depois de ser feliz e ter paz no coração posso me acostumar com a tristeza que vai ser minha vida daqui para frente, como posso aceitar que nada vai mudar nem voltar?
Sei que isso está desestruturando tudo que foi construido, mas não sei como reagir.
Hoje ví uma materia sobre a dona Ruth Cardoso, quando ela morreu eu fiquei triste, junto com outros milhões de pessoas que admiravam ela e o Fernando Henrique, mas só hoje entendi a dor que ele sentiu naquele dia, realmente é muito triste se separar de quem não queremos.
Eu me sinto muito mau por todos aqueles que estão sofrendo por suas perdas, eu sei que perder meu marido querido não é nenhuma tragédia para o mundo, mas para mim é uma tragédia sem explicação, essa é minha tragédia pessoal, e eu sei também que ninguém vai vive-la por mim.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

TIVE UM SONHO, MAS CONTINUO VIVENDO UM PESADELO...

Há alguns dias atrás tive um sonho e logo que acordei lembrei perfeitamante, coisa rara, pois normalmente nunca lembro de ter sonhado, mas não dei nenhuma importância. Ontem quando estava na internet, coisa que mais faço atualmente, quase o dia todo, portanto já sei tudo sobre morte subíta, morte não subíta, luto, dor, tristezas, amarguras, saudades, sofrimento, psicografia, espíritos, almas e por aí vai... Mas o sonho foi assim:
"Estava em lugar que parecia um restaurante em uma cadeira de rodas, quando cheguei perto da mesa, por algum motivo me levantei da cadeira de rodas, saí e deixei ela lá, quando voltei a cadeira não estva lá, procurei e uma mulher me falou que tinha levado para fora, pois estava atrapalhando, fiquei brava e antes de sair para pegar a cadeira falei para ela " você não foi nada gentil, eu também nunca precisei de uma cadeira de rodas, mas agora eu preciso e issso pode acontecer com você também", sai e fui pegar a cadeira, me sentei novamente" e então acordei e lembrei com perfeição do sonho, mas não dei nenhuma importancia e nem fiquei pensando nisso, mas ontem viajando pela internet, depois de ler um monte de coisas úteis e inúteis, lembrei do sonho e procurei o significado e pela primeira vez fiquei impressionada com um sonho, o texto dizia assim:
Significado sonhar cadeira de rodas:

Sonhar que você está em uma cadeira de rodas significa que você deve levantar e andar com as próprias pernas sem depender dos outros.
Você está se sentindo desamparado.
Usar uma cadeira de rodas sem precisar dela de fato, simboliza que você está deixando que outros tomem a direção ou assumam as suas decisões.
Você precisa começar a caminhar sozinho.
Ver pessoa conhecida usando uma cadeira de rodas simboliza que essa pessoa pode estar precisando da sua ajuda ou colaboração.
Embora essa pessoa não se manifeste precisa de uma palavra amiga.

Até me espantei quando lí isso, pois é isso mesmo que está acontecendo comigo, estou tão congelada pelo sofrimento e pela falta do meu Gato, que me tornei incapaz de tomar decisões e portanto tudo que me falam eu concordo porque fica bem mais fácil, e agora queira eu ou não, com dor ou sem dor vou ter que tomar algumas decisões, pois não tem mais volta e as contas estão chegando, as cobranças em relação ao que tem que ser feito legalmente também, preciso ir para Minas resolver o que fazer com a bicharada que ficou pra trás (todos iam vir é claro, as casinhas já estavam prontas), preciso pegar todos os documentos do Eduardo, e uma coisa muito difìcil, que será encaixotar as roupas e os pertences do Eduardo e esvaziar a casa onde fomos felizes por 20 anos, isso ía acontecer eu sei, mas era para fazermos isso juntos e sabiamos que iria ser um momento triste, mas com a promessa de alegrias logo alí na frente.
A lei é cruel, pois mesmo com toda a dor que sentimos por ter perdido tudo de valioso, temos que fingir que não estamos sentindo nada e tratar de papeladas que não queremos, que não estamos prontos para fazer e eu sinto que isso vai ser um longo processo, pois tudo precisa ser feito judicialmente, pois nossa filha é menor, e já sei que a cada audiencia vai ser um mártirio. A lei estabelece que temos que entrar com o processo do inventário em 60 dias após o falecimento, isso é muito cruel. Ele estava feliz por ter conseguido se aposentar e agora vamos receber pensão por morte, também tem que ir no inss para dar entrada nessa papelada, é muito triste, é desesperador, pois era para estar dando entrada em nossa casa, em nossa vida e não num posto do inss.
Apesar de saber que tem que ser feito não consigo me movimentar, não consigo sair dessa apatia que tomou conta da minha vida, como eu nunca achei que seria possível.
Cada vez que alguém me liga pra falar de alguma coisa que hávia sido comprada e que agora já está pronto para o transporte, é uma punhalada no coração, pois não sei nem como resolver, meu coração aperta, meu corpo dói e eu começo a chorar.
Não quero dinheiro, quero meu amor, quero minha vida e a da minha filha de volta. Nossa menina também está em uma situação bem complicada, sem casa dela, sem o espaço dela, sem os brinquedos dela, sem os livros dela e principalmente sem o pai dela, mas ela vai tentando resistir. Esses dias falando com a madrinha dela, que muito tem me ajudado lá em Minas, em relação a alimentação dos bichos e manutenção dos funcionários, ela me falou que a menina deve estar bem confusa, pois já perdeu o pai que ela amava de paixão e está sentindo que "perdeu" a mãe também, já que não consigo dar pra ela o que sempre recebeu de mim,  muito amor, muito carinho, muita alegria, muita luz e muitas conversas e brincadeiras. Ontem a noite estava vendo ela jogar dominó com minha irmã e não pude deixar de pensar em como ela cresceu e mudou nesses trinta e dois dias, eu não sei se sou eu que estou enxergando assim, mas o sorriso dela e a empolgação não são mais como eram antes, ela está mais triste e isso me entristeceu mais ainda.
Eu quero sair desse torpor, desse desanimo, mas não estou conseguindo lutar, como sou fraca, muito fraca.
Apesar de não ser mais eu mesma, sei que uma hora vou ter que levantar e seguir com minhas próprias pernas, mas é muito difícil ainda.
Estou em um garnde sofrimento também por conta da festa junina da escola da minha filha, ela estuda em uma escola que os pais tem uma participação bem ativa na organização da festa e eu não me candidatei a nada pois tenho verdadeiro horror em estar com muitas pessoas e começo a chorar por qualquer coisa e não acho que as passoas estão preparadas para isso, principalmente as crianças. Sei que mais uma vez é uma forma de egoísmo da minha parte, mas o que vou fazer se sou assim, se me sinto assim? Será que estou muito doente?
Eu queria muito dormir, dormir e dormir, para não  falar morrer, morrer e morrer.
Qundo será que vou consiguir caminhar sem sentir essa angustia que me corrói? é muito triste viver assim.
há 33 dias atrás eu acordava tão alegre e bem humorada, cantava com a menina na hora de ir para a escola, na hora do banho, na hora de dormir e hoje me transformei em uma pessoa triste e amargurada, que quando alguém me dá bom dia, apesar de não falar, me dá vontade de falar: "bom dia porque?" eu nunca fui assim, o Eduardo sempre gostou do clima em nossa casa de manhã, pois ele também acordava bem humorado. Realmente dá vontade de desistir de tudo de uma vez por todas, eu estou muito infeliz e com medo da vida.
Esses dias eu reparei que até para dirigir eu estou insegura, ando bem devagar tentando me concentrar ao maxímo para não fazer besteira, e eu era tão segura na direção, não que eu ficasse correndo, mas dirigia de forma bem descontraída, isso não é vida, como pude me transformar tão rapído em um ser que não reconheço mais, eu realmente não sei quem é essa pessoa que se apoderou do meu corpo, apesar que mesmo esse está bem diferente, nas poucas vezes que tenho coragem de me olhar no espelho, não tenho a menor noção de quem é essa pessoa que está ali na minha frente.
Eu me quero de volta mas não tenho a menor ídeia de onde procurar, não tenho a menor ídeia de pra onde eu fui e não tenho a menor ídeia de se algum dia vou me achar novamente e voltar pra mim.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

DESESPERO...QUERO MINHA VIDA DE VOLTA.

Além dos 30 dias que eu queria não existissem, hoje na parte da tarde, recebi uma correspondência falando sobre  rescisão de contrato com a empresa, e eu tenho que estar em algum lugar, no dia 07 de julho, nossa não quero fazer isso, não quero receber um dinheiro, quero meu Gatão, meu amor...
Na  hora de buscar minha filha na escola, o carro quebrou, não queria mais funcionar e eu não tinha ninguém para ligar, para contar como aconteceu...e, eu sei ele iria falar " essa é minha mulher...". Nâo sei realmente como começar uma coisa que não foi terminada. Eu AMO MEU AMOR E A PROTEÇÃO QUE EU TINHA, eu sei que é egoísta, mas não sei como regir  a isso.
Eu choro o tempo todo que alguma coisa não dá certo, ou que até dá. Eu quero meu amor de volta, eu quero me sentir bem outra vez. Já aprendi que temos que prestar atenção as outras pessoas que sofrem tanto quanto eu estou sofrendo, mas é muito ruim, não existem palavras para descrever o quanto sofremos por alguém. Mais uma vez, sei que estou  sendo egoísta em relação aos meus sentimentos, mas é isso que está acontecendo comigo.
Por mais que queira não encontro em minha família, aquela que tentei estar proxima, achando que eu ficaria feliz, mas não é verdade. Eu tenho 2 sobrinhos, filhos do meu irmão, que são incapazes de qualquer gesto simpatico com minha filha, é uma grosseria sem explicação, e o pai ainda fala que porque ele é assim, é normal os filhos também serem, cada um tem o seu geito de pensar. Mas depois de ter convivido com um homem que era gentil e amoroso é complicado não ter mais...
Meu pai também é gentil e eu confeço que por causa dele eu ainda consigo descer e comer, não quero ver ele sofrer e sei que cada vez que não como ele sofre, eu não suporto tanta dor e causada por mim mesma. Seitambém que existe a nossa filha, a quem o pai adorava de paixão.
Estou tão perdida como no primeiro momento da noticia, se eu morresse hoje, ficaria tão bem!
Há muito tempo atrás, combinamos que iriamos morrer juntos, em uma VOLTA de viagem, claro, por na partida não teria graça, teria que ser na volta... Ele morreu antes de mim, em uma ocasião tão especial em nossa vida, está sendo muito ruim.
Gatão, eu te amo tanto, não sei como vou continuar sem a sua presença.
Eu queria tanto ter uma religião e me apegar a alguma coisa, ninguém imagina o quanto!!! mas eu não acredito em deus, nem em nada.
Tenho medo de deixar nossa filha sozinha nesse mundo tão ingrato, e por mais que eu leia e releia sobre sofrimentos, esse é o meu, o meu sofrimento particular e já entendi que ele é só meu... quem não viveu não sabe o que é.
Hoje mais do que nunca, me senti sozinha e insegura. Eu amava minha vida e eu sabia que eu amava.
Não quero dinheiro, quero meu amor, minha vida, minha proteção.
Não sei como viver!!!
Quero a minha vida de volta!???

30 DIAS DE DOR, CONFUSÃO, AFLIÇÃO, AGÔNIA, DESAMPARO, SOLIDÃO, SAUDADES, PARALISIA...

Hoje fazem 30 dias que minha vida mudou radicalmente, hoje fazem 30 dias que não sei mais quem sou e nem o que sinto, hoje fazem 30 dias de lagrímas e sofrimento, hoje fazem 30 dias que o mundo perdeu a côr, hoje fazem 30 dias que não consigo mais sentir amor e alegria, hoje fazem 30 dias que todos os planos e sonhos tiveram fim, hoje fazem 30 dias que não sei o que é ter paz no coração, hoje fazem 30 dias que não me sinto mais protegida, amada e cuidada, hoje fazem 30 dias que perdi o meu amor...
Como queria poder, como um super homem, fazer o tempo voltar atrás. Essa sensação de impotência é o que mais dói.
Esse final de semana passei o tempo todo em sites sobre mortes e homenagens aos que morreram, e realmente descobri como a vida é cruel, quanto sofrimento e saudades as pessoas tem no coração, sei que isso parece tetríco, mas acho que é o que preciso agora, ter conciência que a vida realmente é muito triste e que todos os dias as pessoas sofrem muito.
Há quatro anos atrás já passei pela perda muito dolorosa de minha mãe, ela no dia 09 de janeiro 2006 não se sentiu bem e precisou ser internada, precisou fazer uma cirugia e um dia depois ela teve uma parada cardiaca que foi revertida, só que a partir daí, ela teve que ser intubada e não recuperou mais a consciência, vindo a falecer no dia 29 de janeiro,  dia do aniversário do Eduardo. Foi tudo muito triste e repentino e claro que abalou a família toda, depois de 10 dias voltei para a nossa casa em Minas Gerais e sofri muito todos os dias também chorava muito, mas eu tinha o meu amor que incansavelmente escuta meu choro e meus sentimentos em relação ao ocorrido e invariavelmente ele me abraçava e dizia que tudo iria ficar bem, e é claro que não preciso dizer quanto apoio isso me deu e o quanto me consolou, depois de um tempo nessa tristeza, um dia pela manhã ele me falou "Paula, pensa bem... a nossa menina não merece uma mãe tão triste, ela merece ter a mãe de volta com a alegria que você sempre deu pra ela, ela merece ser feliz" e isso mexeu comigo e então comecei a tentar superar a dor.
Só que agora que estou muito, muito triste e dolorida não tem mais os ouvidos e os abraços de quem sempre me apoiava, me fazia sentir bem, não tenho ninguém para me escutar agora, nunca me senti tão sozinha em minha vida. Apesar de estar com a família, não tenho com quem falar e chorar, pois a grande preocupação deles é que eu siga em frente... Não tenho amigos aqui na cidade, pois estou aqui a pouco tempo. É muto ruim não termos a oportunidade de sermos nós mesmos e poder chorar muito sem ninguém para abraçar e lamentar, lamentar, lamentar. Fico sozinha o dia todo, mas no fundo é a única coisa que me faz bem. Quando desço, as pessoas querem falar sobre coisas corriqueiras, sei que com a intenção de me distrair, mas isso me causa um paníco tal, que subo rapidinho. Realmente as pessoas acham que se não tocar no assunto e no nome do Eduardo vou esquecer mais rápido, quem déra.
Fico bastante aflita e anciosa também por conta de nossa menina, que também não suporta me ver chorar e já pediu que não chore perto dela, o que acho totalmente compreensivel, já que ela tem só 7 anos e também está passando por uma situação que ninguem na idade dela deveria passar.
O que mais faz me sentir culpada é que mesmo o amor que tenho por ela, que sei que é enorme, está tão toldado por esses meus sentimentos de tristeza que não consigo ter as mesmas atitudes que eu tinha antes com ela, de beijos, carinhos, brincadeiras. Nós adoravamos cantar e dançar, eu e ela, e agora não consigo nem mesmo chama-la pelos apelidos carinhosos, dos quais ela tanto gostava. Será que deixei de sentir amor? será que nunca mais vou ser capaz de sentir? será que o amor que eu tinha por ela era falso?
O desanimo tomou conta da minha vida, de uma tal maneira que me deixa totalmente sem ação, sei que preciso ir para Minas, pois tenho que resolver o que fazer com a bicharada que estava também no aguardo de uma vida nova, tenho que esvaziar a casa em que moravamos, tenho que providenciar um caminhão para poder retirar e trasnportar os móveis que lá estão ainda, tenho que providênciar os documentos e certidões, tenho que fazer o inventário, já que existem outros herdeiros, tenho que dar amor para minha filha, tenho que dispensar os funcionários que lá ficaram, tenho que fazer tudo isso eu sei, mas não consigo me mexer e nem tomar qualquer decisão, não sei como fazer, não sei nem por onde começar.
Estou com muita pena me nossa filha, que foi tirada de uma vida que ela amava, ela amava o sitío, os brinquedos dela, o parquinho que montamos para ela, a casinha de bonecas, as reuniõezinhas com as amiguinhas todos os sábados, adorava as brincadeiras do Domingo, principalmente com o pai. Ela sofreu muito quando falamos que iamos mudar, mas as promessas e os planos de uma vida diferente, cheia de novidades, o desafio de viver em uma cidade nova com a bicharada toda que ela ama junto, fizeram com que ela se acalmasse e aceitasse a nova proposta, e agora ela está aqui, na casa do meu pai, com toda a vida, brinquedos, livrinhos, fantasias, roupas, canetinhas,  tudo encaixotado. Ela não tem mais espaço, o espaço dela, a vidinha alegre que ela tinha. É muito triste. Principalmente porque eu mesma não estou conseguindo fazer ela sentir segurança na vida, pois também estou muito insegura. Eu sou um ser muito fraco e me achava uma pessoa forte, como podemos nos enganar tanto sobre nós mesmos?
Hoje fazem 30 dias que o mundo perdeu a côr, qua a comida perdeu o gosto, que meu coração endureceu como pedra, que eu não sou mais eu, que a minha vida paralisou, que eu me tornei tão egoísta que não consigo sair desse estado de desanimo geral.
Fico o tempo todo pensando que um gesto, uma atitude, uma conversa, qualquer coisa poderia mudar o que aconteceu.
Desde que começamos a construir a casa, fomos comprando móveis, objetos de decoração, eletrodomésticos e agora isso tudo está lá embalado, encaixotado, sei mais uma vez que isso é muito egoísmo, mas como me doí cada vez que penso nisso, em quanta alegria iriamos sentir, abrindo tudo aquilo e relembrando aonde haviamos comprado e em que lugar da casa iria ficar e como tudo iria ficar lindo. Fico relembrando dos nossos planos de passeios, como levar nossa menina andar de bicicleta no parque da cidade, de pedir uma pizza para o jantar, de sairmos para ir ao cinema, de jantar em um restaurante legal, de tomar o café da manhã juntos e em que lugar, de fazer um pic nic no quintal... Sei que já tinhamos idade para esses sonhos bobos, mas eram os nossos sonhos, depois de viver 20 anos em uma cidade que não tinha nem pizza.
Nesses 30 dias também aprendi que não devemos fazer planos com tanta antecedência, pois o tombo é grande demais. Quanto mais se sonha, mais é devastador ter que abrir mão das pequenas grandes coisas sonhadas. Machuca como nada.
Sei que estou sendo mais uma vez egoísta, principalmente em relação a nossa filha, mas no auge da minha dor um dia falei para ela "que não é bom ser feliz" e "que a vida não é uma festa", como fui má, como fiz sofrer uma criança que não merece isso. Estou muito atormentada por todos esses sentimentos, e o pior queira ou não, é que apesar te ter conciência disso tudo não consigo reagir, eu não tinha ídeia do tamanho da minha fraqueza, tudo que gostaria é de ficar dormindo e dormindo, mas nem isso consigo fazer, nem de noite e nem de dia.
Ontem, olhando todos aqueles vídios e sites sobre sofrimento, fiquei me perguntando porque eu tenho que ser tão fraca, pois já entendi que a perda de um filho não deve ter nem palavras para descrever o sofrimento, mas mesmo assim minha dor não diminuiu, eu queria muito minha vida de volta, assim como todo mundo que perde alguém também gostaria disso. Realmente deveria ser proibido morrer.
Por mais que saiba que a vida continua eu queria que a minha não continuasse, pois essa opressão no peito, essa angustia, essa falta de paz e de perpectiva, tira toda a vontade da vida.
É muito ruim olhar pela janela e ver que tudo continua igual, o mundo continua igual, mas a cores não são mais tão vívidas, tão intensas, tão bonitas. É muito ruim olhar pela janela e saber que ele não está mais em nenhum lugar.
Sei que tudo isso é muito dramático e que outros também sofrem, mas eu era tão apaixonada pelo meu Gatão, ele me ensinou tanto sobre tudo, ele era tão intelegente, tão cuidadoso comigo e com nossa filha e com os outros filhos também, ele tinha mais dois de um casamento anterior, nós no entendiamos tão bem, era gostoso, claro que brigavamos, as vezes muito, eu era bastante ciumenta, mas na maior parte do tempo era muito bom. Ele também tinha um monte de defeitos, como todos, mas isso é que era, não que eu amasse os defeitos, mas convivia naturalmente com os dele e ele com os meus, então eramos pessoas normais que se amam no melhor e no pior, e isso fazia a vida ser muito boa. É por tudo isso que agora não sei como vou fazer para continuar vivendo sem o meu amor, sem o meu lindo homem, sem o meu principe. Tudo que penso, falo, faço, sinto lembro de algum momento, alguma palavra, algum gesto, algum sonho que sonhamos juntos.
Queria muito que esses 30 dias não tivessem existido...

sábado, 11 de junho de 2011

COMO A VIDA MUDA BRUSCAMENTE...

Há um mês atrás eu ligava o computador para procurar objetos de decoração, tipo lustres, maçanetas, camas, lençois, enfim tudo aquilo que estavamos sonhando.
Hoje eu ligo o computador para ler sobre luto e morte, como a vida muda tão repentinamente que simplesmente perdemos o chão, literalmente. Hoje sinto minha vida suspensa no ar, como se eu fosse um fantoche.
É muito ruim não dormir e estar o tempo todo com o peito oprimido, chegando a doer fisicamente. Hoje eu sei perfeitamente como é se vergar de dor, gostaria de nunca ter conhecido esse sentimento.
Para os que estão ao redor é muito difícil conviver com a tristeza, pois entendo como é complicado se sentir impotente e não poder fazer nada para ajudar, ninguém gosta de ver uma pessoa chorar e infelizmente isso tem sido uma rotina em minha vida.
Me sinto mergulhada em um mar de sofrimento, lamentando muito pelo futuro que não vai mais existir, pelo presente que está muito ruim e dolorido e pelo passado que foi tão bom e não volta mais... estou com muita pena de mim mesma, sei que é egoísta, mas é assim que estou me sentindo esses dias.
Estou muito perdida, nunca fui assim antes, sempre fui alegre a otimista e sabia o que queria, mas agora não consigo me movimentar.
Estou também muito triste por nossa filha, que com tão pouca idade não merecia estar passando por uma provação dessas, não merecia ser privada da companhia do pai, que era simplesmente louco por ela.
Fui mãe com 41 anos e ele na época tinha 53, portanto essa menina foi cercada de todo carinho, orgulho, aconchego e tudo mais que podiamos dar, e eu confesso que depois que ela nasceu nossa vida foi mais feliz ainda do que era antes, e olha que antes era muito boa. Adoravamos viajar, ir passar o carnaval no Rio de Janeiro, desfilar na nossa querida Mangueira, ir para a praia da Reserva às 8:00 da manhã e sair de lá às 8:00 da noite, como era bom.
Nós moramos durante 20 anos em uma cidade do interior de Minas Gerais, completados esse ano.
Ele tinha o maior orgulho de ser pai, era daqueles que chegava do trabalho e nunca estava cansado para atender uma solicitação da filha. Enquanto eu preparava o jantar, eles ficavam desenhando, colorindo, conversando, montando quebra cabeças, nossa, era mágico, realmente era como brincar de casinha, eramos bastante felizes.
Quando resolvemos que estava na hora de mudarmos de cidade, optamos por morar em Londrina, pois tenho parte da família aqui e como ele viajava muito à trabalho o aeroporto iria ajudar muito.
Onde moravamos o aeroporto mais próximo era o do Rio de Janeiro, e era uma viagem de 3:30 de carro, portanto bastante cansativa.
A parte boa é que moravamos em um sítio, não muito longe da cidade, e era um lugar bem bonito, nossa casa era uma casa mutio simples mesmo, antiga, como o Eduardo dizia: "era uma casa de colono um pouco melhorada". Era uma casa de laje antiga e quando chovia tinha goteira por todos os lados, problema que resolvemos depois de alguns anos colocando um telhado. Então era uam casa bem simples mesmo, mas que fomos tornando aconchegante e depois que nossa filha nasceu aí sim, se tornou um lar de verdade.
A cidade é bem pequena, tipo 10.000 habitantes e as opções de lazer não existiam, enquanto eramos só nós
adoravamos ficar em casa tomando um vinho e perdiamos horas sentados no escuro do quintal olhando as estrelas e namorando, era muito bom.
A minha gravidez foi uma surpresa muito grande, pois não estavamos pensando nisso, até porque as possibilidade de engravidar depois dos 40 anos naturalmente são mínimas e essa possibilidade nem passava por nossas cabeças, mas aconteceu e ficamos bem felizes e também preocupados, é claro, afinal uma gravidez nessa idade poderia ser complicada, mas que nada, foi ótima, no começo eu tinha muito sono, mas passada essa fase, como me sentia bem e feliz, nossa que período bom de nossas vidas.
Ela nasceu no dia 21 de Dezembro, e assim que fui para o quarto o Eduardo entrou, segurou minha mão, me deu um beijo e falou "agora somos uma família de verdade", eu amei ouvir isso e me senti a pessoa mais importante do mundo, agora eu tinha uma família!
Como eramos só nós três, pudemos viver de perto toda alegria e também muitas angustias de criar uma criança sem nenhum parente por perto para ajudar e é claro que rápidamente ela passou a ser o centro de nossa vida e por conta de sermos mais velhos, nunca tivemos pressa para que ela crescesse, curtiamos cada dia e cada momento. Ela foi crescendo e sempre se mostrou uma menina alegre e muito, mas muito carinhosa mesmo, e nós, pais cada vez mais apaixonados.
Foi nesse clima que ela cresceu e foi feliz, quando falamos que iriamos mudar de cidade, ela sofreu muito, pois adorava o sítio, os animais, a casa, e tudo que ela conhecia.
Como a casa estava quase pronta, no começo do ano resolvemos que eu viria na frente com nossa filha, para que ela começasse a escola já no começo do ano, e vim eu, ela, algumas malas e boa parte da mudança que ficou na casa, dentro de caixas e caixas de roupas, de livros, de tudo.
Só que a obra que iria acabar no mes de Março ou Abril no máximo atrasou, e só iria ficar pronta em Maio. Marcamos a mudança definitiva para a última semana de Maio. Eu iria para Minas para fazermos a mudança geral com o resto dos móveis e a bicharada toda ( 3 cachorros, 2 coelhas, 3 jabutis, 4 periquitos, 1 papagaio e 1 pato). Alegria geral, finalmente nós iriamos ter nossa vida de volta!
Nesses meses que fiquei aqui em Londrina ele vinha regularmente e aproveitavamos para comprar móveis e objetos de decoração para nossa linda casinha, nossa filha cheia de expectativas para mudar e poder chamar os amiguinhos para brincar (fizemos até uma casinha na árvore, e um parquinho para ela) que era o que ela estava acostumada lá no sítio, todos os sabados eu fazia reuniões com as crianças, era uma festa...
No dia 8 de Maio montamos os móveis do escrítorio dele, que compramos na tok stok, e ficou lindo, do jeito que ele queria. Depois de pronto perguntei se tinha ficado como ele imaginou, ele falou que tinha ficado melhor do que o imaginado, que alegria, póis isso era fundamental para ele poder vir para cá e trabalhar.
É claro que estavamos muito incomodados com essa nossa separação involuntária, pois sempre estavamos juntos o tempo todo, foi muito ruim, mas estava bem próxima do fim, que alegria...
Ele foi embora no Domingo à noite, fomos eu e nossa filha levar ele para o aeroporto e fomos cantando e conversando sobre coisas no geral, quando estavamos chegando no aeroporto começamos a falar sobre quantos dias das mães já tinhamos comemorado, chegamos, desci do carro para me despedir, demos um abraço, alguns beijos, nossa filha desceu também, demos um abraço triplo e eu falei o quanto eu amava ele, pois ele tinha me dado nossa menina e por causa disso que eu podia comemorar o dia das Mães, e foi a última vez que falei com ele pessoalmente, quem poderia imaginar????
Nos falavamos várias vezes por dia, ou por telefone, e-mail, ou torpedo, e Quarta Feira, dia 11 escolhemos o nosso colchão novo e o lustre da sala de jantar.
Na Quinta Feira dia 12 ele me ligou e falou que não estava se sentindo bem, pois estava com febre e que iria até a cidade vizinha para uma consulta, pois na nossa cidade é bem complicado o serviço médico, ele foi depois do almoço, eu tentava ligar e não conseguia falar com ele durante a tarde toda, liguei para a empresa aonde ele trabalhava, falei com o secretário dele que também estava sem noticias, dpois de muito tentar consegui falar, senti que ele estava angustiado, e ele me falou que chegando em casa me ligaria, 10 minutos depois ele ligou, eu estava no carro indo buscar nossa filha na escola, ele falou que queria falar comigo e só comigo, a bateria do celular estava fraca e combinamos que assim que chegasse na casa do meu pai eu ligaria, estava super apreensiva. Chegando em casa eu liguei, ele atendeu e começou a chorar, quando ele se acalmou me falou que o médico falou que ele estava com uma bronqueolite, uma coisa simples, por isso a febre, mas o que estava deixando ele tão aflito é que o médico também falou que ele estava com um angioma na lingua, um tumor e que isso não era nada bom, ele ficou muito agoniado com isso, mas muito mesmo e começou a imaginar as piores coisas, falei com ele por um tempo e depois fui direto para a internet para me informar do que se tratava e pro tudo que li rápidamente ví que não era uma coisa grave e liguei novamente, demorei a conseguir falar, pois só dava ocupado, quando finalmente consegui ele estava muito nervoso, pois era uma ligação de trabalho e ele já estava angustiado com o ocorrido, nessa hora ele estava muito nervoso e bravo. Expliquei pra ele o que eu tinha lido e falei que fosse o que fosse nós enfrentariamos juntos, nessa hora ele me falou que isso não era verdade, que não estavamos juntos porra nehuma, que eu estava aqui e ele lá, que não tinha nada que me prendesse em nossa casa, que ele merecia um jantar quente, que estava cansado de vir para londrina,mas ele estava muito bravo mesmo, conversamos, ele foi se acalmando e desligamos, nessa hora nossa filha estava tomando banho e ele não falou com ela, eles também se falavam todos os dias.
Mais ou menos 9:30 ele ligou para falar com ela, ela chamava ele de papi, eles conversaram, ela falou da festa junina da escola e outras coisas, qundo ela cansou de falar perguntou se ele queria falar comigo e le disse que já tinha falado e desligaram, mas eu liguei de volta falando que queria falar mais um pouco, a essa altura ele já estava mais calmo e ficamos conversando e ele me falou de como estava triste com o fato de estarmos separados e quanta saudades ele sentia, falei que faltava muito pouco só mais 10 dias, ele me falou que o médico havia pedido alguns exames de sangue e que ele iria fazer no dia seguinte cedo e assim que fizesse os exames ele me ligaria, nos despedimos e eu falei o quanto estava anciosa para estarmos juntos novamente, nessa hora ele estava muito triste.
Logo que desliguei mandei um torpedo falando o quanto eu também estava triste mas que estava no fim e logo ficariamos juntos novamente, era para ele ler no dia seguinte cedo, pois no sítio não pega celular, era para ele saber como eu estava também e se animar...só que ele não chegou a ler essa mensagem.
Na sexta feira tinha uma reunião marcada na escola da nossa filha, tentei ligar logo cedo, mas não consegui falar, tentei várias vezes tanto em casa como no celular, mas como sabia que ele iria fazer os exames, achei que ele tinha desligado o celular, participei da reunião com o meu celular desligado também, assim que acabou a reunião  tentei novamente ligar e o celular estava fora de área, vim para a casa do meu pai e chegando aqui ví o carro do meu pai, mas não estranhei entrei, chamei minha filha, e então só que falei, "pai o que você tá fazendo aqui a essa hora?" ele falou, "tenho uma notícia pra você e não é boa" e a partir desse momento minha vida mudou bruscamente, como eu nunca imaginei que fosse possível.
No dia das mães, enquanto montavamos os móveis, ficavamos falando aonde iriamos tomar o café da manhã, aonde iriamos sentar e tomar um vinho, em quais lugares da casa iriamos namorar, o quanto nossa filha iria  ser feliz, do sonho dele de leva-la na escola e participar da vida dela.... como pode mudar tudo tanto em tão pouco tempo????
EU ESTOU COM MUITA RAIVA, RAIVA DE TUDO, NÃO DÁ PRA ACEITAR A CRUELDADE DA VIDA.